Câncer matará mais de 120 mil pessoas em 2002

O câncer vai matar 122.600 pessoas e terá 337.535 novas vítimas em 2002, segundo estimativas divulgadas hoje pela direção do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e pelo próprio ministro da Saúde, Barjas Negri. O maior vilão de todos os tipos da doença continua sendo o câncer de pulmão, que, sozinho, vai fazer 15.955 vítimas fatais este ano. "As pesquisas do Inca têm norteado as políticas do ministério para o combate à doença. Elas são importantes porque mostram onde devemos agir", afirmou o ministro na cerimônia de lançamento do estudo, ontem no Rio.As estimativas do Inca mostram ainda que, enquanto o câncer faz mais vítimas mulheres (171 mil dos 337 mil), ele mata mais os homens (66 mil dos 122 mil). Isso ocorre porque os tipos de câncer mais comuns nas mulheres costumam matar menos (mama e pele), enquanto os homens têm mais câncer no pulmão, o mais perigoso. Mas a pesquisa indica que a mulher pode estar alcançando o homem também nesse mal porque o câncer de pulmão é o que mais cresce nas mulheres (subiu 122% entre 1979 e 1999) e já é o segundo que mais mata - perde apenas para o de mama.Os pesquisadores do Inca afirmam que não é possível comparar as estimativas de 2002 com números de outros anos, mas a evolução dos casos já computados dá uma idéia do movimento da doença. Dados de mortalidade entre 1979 e 1999 apontam que quase todos os tipos de câncer crescem no País, com exceção do câncer de estômago, considerado estável. Nesses vinte anos, o Brasil registrou crescimento das mortes por câncer de 49%.A doença é a terceira causa de morte, superada apenas pelas doenças cardiovasculares e as causas externas (acidentes de trânsito mais violência urbana). "O aumento da expectativa de vida do brasileiro e o maior acesso da população à rede de saúde são os dois fatores que contribuíram para o crescimento da doença", explicou a médica do Inca Inez Gadelha. "E se o Brasil ainda não está no topo da incidência mundial é porque ainda precisamento melhorar ainda mais o sistema de dignóstico e coleta de informações."Gadelha se refere às diferenças regionais. Em algumas regiões do País, tipos de câncer que podem ser evitados com bons sistemas de diagnóstico e controle precoce ainda lideram a lista. É o que ocorre com o câncer do cólo do útero, que ainda é o recordista em casos nas mulheres da região Norte. Em todas as outras regiões, o líder é o câncer de mama. O mesmo ocorre no Nordeste com os homens. Lá, ao contrário das outras regiões, o câncer masculino mais comum é o de próstata. "O País está se mobilizando para tentar suprir essas deficiências que fazem com que câncer no cólo do útero ainda seja tão comum. Em 1998, por exemplo, conseguimos fazer exames preventivos em 3 milhões de mulheres. E são esses projetos que estamos predendendo ampliar", disse o ministro. Segundo ele, o ministério aumentou os investimentos ao combate ao câncer entre 2000 e 2001. Pulou de R$ 572 milhões para R$ 662 milhões o total gasto com diagnóstico e tratamento da doença. Ele afirmou que pretende anunciar em breve novos investimentos para aumentar e melhorar os mamógrafos do País e, com isso, fazer mais diagnósticos precoces de câncer de mama.O ministro passou todo o dia de ontem no Rio. Pela manhã, antes do lançamento da pesquisa do Inca, Negri inaugurou as obras de ampliação do Instituto Nacional de Cardiologia, na zona sul e, no final da tarde, depois de almoçar com a direção do Inca, inaugurou um novo prédio do Inca na zona norte.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.