Canavieiros fazem caravana do Pará até Brasília

Cerca de 400 canavieiros e comerciantes de Medicilândia, no sudoeste do Pará, saíram hoje em caravana daquele município até Brasília, numa viagem de ônibus de 2.700 km, para protestar contra o fechamento da usina de cana-de-açúcar Abraham Lincoln, pertencente ao Incra. Entre os manifestantes, estão 120 funcionários do Incra região demitidos em dezembro do ano passado.As instalações da usina foram ocupadas há seis dias por mais de 150 pessoas, que, como forma de protesto, também fecharam a rodovia Transamazônica no sábado passado. O bloqueio foi suspenso, mas agora os invasores ameaçam fechá-la novamente por "tempo indeterminado". Na viagem a Brasília, os canavieiros levam três toneladas de cana que pretendem despejar na porta do Ministério do Desenvolvimento Agrário. "O Incra alega que só teve prejuízo com a usina e não pretende reabri-la. Mas não oferece nenhuma outra alternativa, como arrendar ou mesmo vender, para grupos privados", acusa o empresário Joaniz Jardim. "O desespero tomou conta de 1.200 famílias que sobrevivem da produção da usina. Sem ela, mergulhamos no caos do desemprego e da miséria", emenda o prefeito do município, Francisco Aguiar Silveira.O diretor do Incra, Paulo Condé, informou que o órgão tem uma pendência judicial com uma empresa, a Conam, que já dura 17 anos na Justiça Federal. Sem essa definição, a usina não poderá ser negociada. Nos últimos dias, o Incra tem tentado negociar a transferência da usina para o governo do Pará. O governador Almir Gabriel (PSDB), aceita proposta, desde que o Incra não transfira para o Estado seu passivo de R$ 48 milhões.

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