Canadá é lembrado na chegada do porta-aviões

Dezesseis dias depois de partir do porto de Brest, na França, o porta-aviões A-12 São Paulo chegou às 11h30 de ontem à Baía de Guanabara para ser incorporado à Marinha do Brasil. Comprado à Marinha francesa por US$ 12 milhões (R$ 24 milhões), o navio-aeródromo, que se chamava Foch quando pertencia aos franceses, foi recebido com uma salva de 21 tiros de canhão, disparados da Fortaleza de Santa Cruz. O ministro da Defesa, Geraldo Quintão, participou de cerimônia no convés de vôo da embarcação. As solenidades incluíram uma parada naval, com aeronaves e outras embarcações, entre elas o porta-aviões A-11 Minas Gerais, com 57 anos de uso e que será desativado.Em seu discurso, o ministro citou a guerra comercial com o Canadá como exemplo da necessidade de o Brasil ter mais independência no cenário internacional. "Os últimos acontecimentos envolvendo produtos brasileiros - sejam os de alta tecnologia aeronáutica ou apenas agropecuários - nos mostram bem como esse alerta do passado está próximo da verdade", disse ele. Quintão se referia a uma análise da participação da Marinha brasileira na Segunda Guerra Mundial, segundo a qual a "improvisação e o despreparo de uma força militar, além de inevitáveis derrotas, pode deixar o País à mercê dos interesses de países aliados, dos quais dependeremos". Segundo o ministro, o ideal seria que o País dispusesse de tecnologia para fabricar seus próprios meios navais ou que adquirisse equipamentos de última geração, mas "isso não é possível no momento".O Foch começou a operar em 1963, tendo participado da Guerra do Golfo, em 1990. Pesa 33 mil toneladas (carregado) e tem 266 metros de comprimento por 51,2 de largura. Atinge a velocidade máxima de 30 nós (55,5 quilômetros por hora). Pode transportar até 38 aeronaves. Ele receberá aviões de ataque AF-1 Skyhawk, comprados ao Kuwait. "Além da presença no Atlântico Sul, vigiando as rotas comerciais brasileiras, o São Paulo auxiliará Exército e Aeronáutica no apoio em situações críticas de forças de paz, dará ao Brasil um razoável poder dissuasório e funcionará como elemento integrador das Marinhas dos países vizinhos, que não possuem uma embarcação semelhante", disse Quintão.O comandante do porta-aviões, capitão-de-mar-e-guerra Antonio Alberto Nigro, anunciou o início de operações conjuntas do Brasil com a Argentina, utilizando a embarcação. Segundo ele, só no fim de abril ou início de maio o São Paulo terá condições de conduzir com segurança operações aéreas. O motivo é o treinamento da tripulação, que hoje é de 600 homens. Nesta semana, o porta-aviões receberá mais 600 tripulantes, que precisam ser adestrados. A capacidade é 1.900 pessoas. O São Paulo pode operar 38 aeronaves. Nigro informou que o navio está "modernizado e operativo". Foram retirados apenas os códigos de comunicação, criptografias e lançadores de armas exclusivos da França e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.