Campos responsabiliza Dilma por crise no setor de etanol

Segundo o candidato do PSB à Presidência, a política de preços dos combustíveis do atual governo 'matou' a competitividade do álcool

ANGELA LACERDA, O Estado de S. Paulo

19 de julho de 2014 | 21h29

PALMARES - O candidato à presidência da República, Eduardo Campos (PSB), responsabilizou a presidente Dilma Rousseff (PT) pela crise do setor canavieiro e sucroalcooleiro vivida hoje não somente no Nordeste, mas, segundo ele, "por todos os Estados produtores do Brasil", em comício realizado na noite deste sábado, 19, no município de Palmares, na zona da mata pernambucana , a 120 quilômetros do Recife.

A crise, segundo ele, foi provocada pela "política errada na Petrobrás". "Mataram o preço do álcool", discursou, ao lembrar que o preço do etanol só é competitivo se é 30% mais barato que o da gasolina.

"Isso fez com que as usinas do Nordeste, com todas as dificuldades de topografia e de acesso ao sistema bancário, começassem a pagar o preço dos erros da presidente Dilma na política do preço dos combustíveis", frisou, atacando o governo em uma região onde ela tem grande aceitação. "O Nordeste se ressente deste governo que não olhou para nós como deveria ter olhado."

Ele afirmou que também os produtores de São Paulo assistem ao fechamento de usinas de açúcar e álcool. "Na região plana de Ribeirão Preto, há mais de 40 usinas fechadas", afirmou, complementando que, em Sertãozinho, mais da metade das empresas que produzem equipamentos para a atividade sucroalcooleira estão fechando suas portas ou praticamente deixando de funcionar.

O candidato explicou que sem preço competitivo, os que produziam cana para fazer álcool pararam de vender para a Petrobras e postos de gasolina e passaram a fazer açúcar. "E o preço do açúcar foi lá para baixo no mercado no mundo, pois é o Brasil o país que mais fabrica açúcar no mundo e aqui dentro". Ele lembrou que até o governo do ex-presidente Lula, se estava abrindo novas usinas.

Questão de tempo. Para Campos, o fato de ser desconhecido no Brasil "é uma questão de tempo". "De cada 100 brasileiros, menos de 30 nos conhecem", observou, ao lembrar que, em 2006, quando disputou o primeiro mandato ao governo de Pernambuco visitou Palmares como um desconhecido e saiu "lá de baixo nas pesquisas para ganhar a eleição com 75% dos votos".

Campos participou de carreatas nos municípios vizinhos de Escada e Ribeirão, antes do comício em Palmares, acompanhado pelos candidatos da chapa majoritária ao governo estadual. O objetivo é fazer o seu candidato, seu ex-secretário de Fazenda, Paulo Câmara (PSB), também se tornar conhecido do eleitorado pernambucano.

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