Campos questiona uso de verba do pré-sal em educação e saúde

A exemplo de Aécio e Marina, governador de PE, provável candidato à Presidência, fez críticas ao leilão e cobrou mais transparência do governo; tucano atacou pronunciamento de Dilma na TV

Lilian Venturini - O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2013 | 11h43

Depois de o senador Aécio Neves (PSDB) e de a ex-senadora Marina Silva apontarem falhas no leilão do campo de Libra, o governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) também questionou o resultado da licitação da primeira área do pré-sal, realizado nessa segunda-feira, 22. Em post na sua página do Facebook, na manhã desta terça, 22, Campos questiona se de fato os recursos serão usados em saúde e educação.

Para o provável candidato à Presidência em 2014, os brasileiros "viram com muita decepção" o resultado da licitação. Segundo ele, a falta de falta de debate sobre o processo deixa dúvidas quanto ao destino do dinheiro arrecadado com a exploração do pré-sal e ficou a impressão de que "não irá para educação e saúde". "A gente percebe que o dinheiro vai terminar compondo a questão fiscal dura que o país atravessa, apenas amenizando a falta de caixa do governo. E isso nos preocupa", afirmou. Em setembro, a presidente Dilma Rousseff sancionou lei que destina 75% dos royalties do petróleo para a educação e 25% para a saúde.

O leilão, disputado sem concorrência, foi arrematado por um consórcio de cinco petroleiras, entre elas a Petrobrás. Campos afirmou que a falta de disputa indica a necessidade de o modelo de partilha ser revisto. "Sem disputa, as empresas vão sempre oferecer o preço mínimo, o que não é bom para o Brasil. O petróleo do pré-sal não pode ser vendido a preços aviltados pela falta de concorrência", escreveu.

Para os próximos leilões, Campos sugeriu que o processo seja feito de modo transparente e deu ênfase à questão ambiental, principal bandeira de sua recém-aliada, Marina Silva. "A gente precisa ter segurança que a tecnologia a ser utilizada garantirá que o Brasil, além dos prejuízos claros que teve no processo de venda, também não seja vítima de um desastre ambiental de proporções imprevisíveis", disse.

Na noite dessa segunda, Aécio, provável candidato do PSDB em 2013, e Marina Silva já haviam apresentado ressalvas ao leilão. No fim da noite, em nova nota, o tucano repudiou o discurso da presidente na TV em rede nacional por ter, segundo ele, usado o pronunciamento como "ferramenta de propaganda política e eleitoral"./ Colaborou José Roberto Castro

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