Campos provoca Dilma sobre ação da Lava Jato

Chamado a falar como testemunha sobre obras da Petrobrás, candidato do PSB afirma que presidente foi quem nomeou ex-diretor sob suspeita

ISADORA PERON, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2014 | 02h06

O candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, defendeu, na noite de sexta-feira, que a presidente Dilma Rousseff (PT), sua adversária na corrida eleitoral, deveria ser convocada como testemunha no processo que envolve o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa - alvo da Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Na semana passada, a Justiça Federal acolheu o pedido da defesa do ex-diretor e mandou intimar Campos para depor no processo sobre lavagem de dinheiro supostamente desviado das obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

Campos, que foi governador do Estado por quase oito anos, disse que ainda não havia recebido nenhum comunicado oficial sobre o caso. "Eu estou à disposição da Justiça, mas acho que quem poderia esclarecer mais coisas sobre o Paulo Roberto Costa é a Dilma, que presidia o Conselho de Administração da Petrobrás, que nomeou o Paulo Roberto e que o manteve lá anos e anos", afirmou.

A decisão de acolher o pedido da defesa de Costa foi do juiz Sérgio Moro, que advertiu sobre o risco da demora de ouvir as testemunhas.

"Na compreensão, será muito difícil a oitiva de referidas testemunhas em período de campanha eleitoral", assinalou.

Alckmin.Campos disse também considerar "natural" participar de agendas em São Paulo ao lado do governador Geraldo Alckmin (PSDB), já que o seu partido ocupa a vice na chapa do tucano à reeleição.

Durante a semana, Alckmin havia acenado que, se convidado, iria a eventos de campanha ao lado de Campos e que isso não prejudicaria o candidato do seu partido à Presidência, Aécio Neves. "Se tiver alguma atividade, em algum lugar que apoie a nós e a ele (Alckmin), que estejamos todos nesta atividade. Acho natural", disse Campos.

Ele estava ao lado de sua vice, Marina Silva, que foi contra a aliança com o tucano. Na sexta-feira, após o PSB ter utilizado a imagem de Marina ao lado de Alckmin em materiais de campanha nos comitês estaduais da sigla, a Rede Sustentabilidade divulgou nota afirmando que só seria permitido usar foto da ex-ministra ao lado de candidatos estaduais majoritários apoiados "formalmente pela Rede".

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