Campos: mais afinidades do que divergências com Serra

Uma semana depois de ter se encontrado com José Serra (PSDB), em São Paulo, o governador Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, afirmou nesta sexta-feira que tem mais afinidades políticas do que divergências com o tucano. "Esse campo em que Serra sempre militou é muito mais próximo do nosso campo político do que muita gente que está conosco e que esteve conosco na base de sustentação do presidente Lula", afirmou ele. "Todo mundo sabe disso."

ANGELA LACERDA, Agência Estado

22 de março de 2013 | 18h04

"Acho que é importante a gente manter essa capacidade de dialogar", destacou, em entrevista concedida durante o lançamento de um livro sobre escultores pernambucanos patrocinado pela construtora OAS, em Recife. "Dialogar não significa aderir à posição das pessoas, dialogar significa civilidade, humildade para saber que suas posições podem melhorar na medida em que se aceita a ponderação dos outros e isso nós fizemos", disse.

A aproximação de Campos com Serra, em mais um lance para pavimentar a candidatura do pernambucano à Presidência em 2014, deixou tanto tucanos como petistas inquietos, como mostrou reportagem do jornal O Estado de S. Paulo nesta sexta-feira.

Indagado se a conversa com Serra traria desconforto à boa relação que mantém com senador Aécio Neves (PSDB-MG), que também pretende disputar a Presidência no ano que vem, Campos minimizou. "O próprio Aécio vai encontrar Serra esses dias", afirmou, voltando a explicar as afinidades que o aproximam de Serra, de quem foi colega, como governador, quando o tucano governou São Paulo. "Ele (Serra) foi muito amigo do meu avô (Miguel Arraes), eu sempre tive boa relação com Serra, o próprio presidente Lula sabe disso, que sempre tivemos uma porta de conversa."

Segundo Campos, as diferenças entre os dois nunca empanaram a possibilidade de discutir sobre economia. "Serra é economista respeitado, homem público de experiência, foi um grande ministro da Saúde, governou o maior Estado e a maior cidade do País", elogiou.

Entre os pontos de convergência com o tucano, citou a melhor distribuição de renda no País, um crescimento mais arrojado, e uma política de inovação que agregue valor às exportações. "Entendo que devemos seguir discutindo o Brasil", afirmou Campos , que tem mantido encontros com empresários no Sudeste e busca abrir espaço para seu nome na região.

Dilma

Sobre a declaração do secretário do PT, Paulo Teixeira, para quem o voto do Nordeste é "petista e dilmista", Campos afirmou, sorrindo: "Acho que o voto do Nordeste é dos nordestinos".

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