Campos lança projeto 'Noronha Carbono Zero'

Considerado um desenvolvimentista, governador de Pernambuco busca aproximação causa ambientalista desde que a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, se filiou ao PSB

Ângela Lacerda , Agência Estado

31 de outubro de 2013 | 20h37

Recife - Na tentativa de colar à sua imagem de desenvolvimentista as causas ambientalistas defendidas pela neoaliada Marina Silva, o governador de Pernambuco e provável candidato à Presidência, Eduardo Campos (PSB), lançou, nesta quinta-feira, 31, o "Noronha Carbono Zero". O projeto, que pretende fazer do arquipélago de Fernando de Noronha o primeiro território carbono-neutro do País, foi anunciado em Recife, na abertura da conferência "Pernambuco no Clima", que reúne especialistas em meio ambiente para discutir mudanças climáticas e aquecimento global.

"Será um caso concreto para servir de paradigma para cidades, estados e países", afirmou o governador. Campos acredita que a experiência de redução da emissão de carbono a zero na ilha - o que inclui compensação com plantio de mata atlântica para as atividades onde a emissão não puder ser reduzida - pode ser alcançada em um prazo de cinco anos.

Fernando de Noronha produz hoje uma média de 9 mil toneladas de CO² por habitante/ano, um índice bem acima da média nacional de 2,2 toneladas de CO² por habitante/ano. Um diagnóstico do arquipélago indicou que 55% por cento das emissões se devem ao transporte aéreo, 32% à energia térmica e 7% ao transporte interno - ônibus, veículos, motos que circulam na ilha. O gás carbônico (CO²) contribui para o chamado efeito estufa e aumento da temperatura do planeta.

O governador observou que o uso do biocombustível em vez do combustível fóssil para as aeronaves vai depender das empresas áreas, que poderão receber algum benefício para fazer a mudança. O arquipélogo, que tem uma usina termelétrica, também vai buscar fontes alternativas para geração de energia. Duas usinas solares estão sendo implementadas, com investimentos de R$ 18 milhões e deverão atender a 15% da atual demanda energética.

O projeto de redução de carbono ainda será apresentado e discutido com a comunidade da ilha, afirmou o secretário estadual de Meio Ambiente, Sérgio Xavier (PV). "O envolvimento da população é imprescindível para o seu êxito", disse. Segundo ele, ainda não há um orçamento específico para o projeto. 

Numa espécie de prestação de contas, em um discurso de 25 minutos, Sérgio Xavier apresentou as ações do governo pernambucano na área do Meio Ambiente. "Pernambuco está fazendo o dever de casa e pode exigir que o Brasil e o mundo também avancem neste sentido", disse ele. O secretário informou que o Estado está investindo R$ 11,5 bilhões no setor, sendo R$ 9,7 bilhões em saneamento e abastecimento. Xavier assegurou que 60% destes recursos serão utilizados até 2015.

Participaram da conferência o líder dos verdes no Parlamento Europeu, Daniel Cohn-Bendit, o secretário-executivo do Fórum brasileiro de Mudanças Climáticas, Luís Pinguelli Rosa, a deputada federal Aspásia Camargo (PV), o deputado federal Alfredo Sirkis (PV) e o ex-deputado federal pelo PV, Fábio Feldmann.

Sirkis (PV) enfatizou que o programa não tem caráter político. Ele disse que o evento foi planejado há um ano e é um desdobramento da Rio +20. "Não tem política, não tem campanha eleitoral", afirmou. Feldmann destacou a importância do encontro por "avançar e inovar para o concreto".

"As democracias são formatadas para pensar no curto prazo, normalmente o curto prazo é o eleitoral", disse Feldmann. "O que estamos fazendo em Pernambuco é liderança".

Nova imagem. Desenvolvimentista, Campos não teve preocupação com o meio ambiente no seu primeiro mandato e recebeu críticas de ambientalistas por iniciativas como a autorização, em 2010, da derrubada de 600 hectares de manguezal no complexo portuário e industrial de Suape, na região metropolitana. No segundo mandato, criou a secretaria de meio ambiente e tem buscado mudar a política ambiental do Estado.  No início do mês, a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, aliou-se ao PSB depois de ver o registro da Rede Sustentabilidade negado pelo TSE.

Encontros Regionais. Os aliados do PSB e Rede farão dois encontros regionais ainda neste ano: o primeiro no Rio e o segundo em Salvador, na busca de aprofundar as convergências e superar as divergências programáticas das duas legendas. Outros três encontros regionais devem ocorrer no início de 2014, sem data definida, segundo Campos.

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