Campos indica que deixa governo em abril para ‘estar na rua’

Governador de PE diz, em entrevista a rádio de João Pessoa, que ficará ‘sem função nenhuma, com o sentimento do povo’

Angela Lacerda , O Estado de S. Paulo

12 Dezembro 2013 | 23h11

João Pessoa - O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), indicou nesta quinta-feira, 12, em João Pessoa, que irá se desincompatibilizar do cargo em abril do próximo ano para disputar a Presidência da República. Em entrevista à Rádio Correio FM, Campos, numa referência à sua futura candidatura, disse que, a partir de abril, vai estar "na rua, sem função nenhuma, com o sentimento do povo".

Oficialmente, o governador pernambucano não assume a provável candidatura ao Palácio do Planalto em 2014. Na entrevista à rádio da capital da Paraíba - onde esteve para receber o título de Cidadão Pessoense -, Campos ressaltou que tinha outras opções, como terminar o seu mandato de governador, ocupar um ministério ou se eleger senador com forte apoio popular.

Ele reiterou ter recebido do próprio ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a garantia de não será candidato no lugar da presidente Dilma Rousseff, que vai disputar a reeleição. Campos destacou a lealdade ao ex-presidente. "O presidente Lula sabe que tenho coragem para perseguir os sonhos que não são os meus, são do Brasil que quer melhorar e todo mundo sabe que para melhorar tem que mudar", disse. "E quando o povo bota na cabeça que vai mudar, faz a mudança."

O governador de Pernambuco pregou a união do Nordeste e afirmou que a região precisa de "investimento pesado". Ele criticou a lentidão de obras como a Transposição do Rio São Francisco e a queda no repasse do recursos do Fundo de Participação dos Municípios. "Os prefeitos estão todos quebrados, em todo canto, porque todo dia cai a receita dos municípios e Estados", afirmou.

Na meta de conquistar o apoio da região - onde a presidente Dilma tem forte aprovação - o presidenciável fez questão de carregar no sotaque nordestino, utilizando inclusive expressões regionais. Ele mesmo se referiu ao seu "sotaque arrastado".

‘Gente mofada’. Na entrevista, Campos disse ainda que "o arranjo político que está em Brasília" não representa as reivindicações da sociedade brasileira manifestadas nos protestos que tomaram conta do País este ano. "Esse arranjo não representa a política pedida pelas ruas em junho", afirmou. Sem citar nomes, ele disse ainda que "tem muita gente mofada que está precisando ir para casa, em Brasília". "Tem um bocado de gente com cabeça atrasada efetivamente sem compromisso com a ética."

Para Campos, a aliança PSB-Rede, com a ex-ministra Marina Silva, tem a capacidade de renovar e oxigenar a política. "Juntos vamos ganhar o ano de 2014, o que vai ser bom para o Brasil e para o Nordeste."

 

 

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