Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Campos e Marina dizem que vão definir candidato só em 2014

Com discurso afinado, aliados disseram estar construindo bases para uma 'nova política' brasileira

Atualizado em 11.10, O Estado de S. Paulo

10 de outubro de 2013 | 17h08

Eduardo Campos e Marina Silva tiveram uma reunião de emergência nessa quinta-feira, 10, em São Paulo na qual decidiram adotar uma estratégia para abafar focos de tensão criados desde o anúncio da aliança no sábado passado: oficialmente, o nome do candidato do PSB ao Palácio do Planalto só será definido em 2014.

"Em 2014 nós vamos tomar uma decisão sobre a chapa. Não haverá nenhum problema entre o PSB e a Rede no que tange a essa questão", afirmou Campos ontem. Aliados do governador de Pernambuco, porém, não admitem ceder a cabeça da chapa à ex-ministra do Meio Ambiente.

Atendendo a um pedido de Marina, Campos se deslocou para São Paulo. Depois de um almoço reservado, a dupla convocou entrevista para, nas palavras de um dirigente do PSB, "limpar o terreno publicamente".

"A aliança é tão inédita que sofrerá ataques especulativos de toda ordem. Temos que respondê-los a todo o tempo", afirmou o deputado Walter Feldman, um dos principais operadores políticos de Marina.

"Se alguém imagina (haver problemas) entre Marina, eu e outros companheiros para que a gente possa organizar (a aliança) está redondamente enganado", afirmou o governador na entrevista coletiva. Socialistas e "marineiros" temem que o impacto da aliança na opinião pública seja contaminado pela disputa entre os dois grupos.

O estranhamento entre os "sonháticos" da Rede, cujo registro foi negado pela Justiça Eleitoral por falta de assinaturas de apoio, e os dirigentes do PSB, onde os "marineiros" se abrigaram, começou depois que integrantes dos dois grupos começaram a questionar publicamente quem estaria na cabeça da chapa ao Planalto.

No lançamento da aliança, no sábado passado, Marina disse que iria "adensar" a candidatura de Campos, que já estava "posta". Seus auxiliares chegaram a dizer que a ex-ministra aceitaria ser vice. Depois, porém, Marina deu declarações em que sugeriu estar disposta a encabeçar a chapa ao Planalto. Também surgiram outros pontos de atrito, envolvendo alianças e espaço político.

"A decisão que nós temos tomada com muita clareza é que estamos fazendo uma aliança que busca a identidade. É preciso começar essa aliança não pelos nomes, mas pelo conteúdo", disse Campos. O governador afirmou, ainda, que a aliança não se iniciaria cometendo "os mesmos erros" de práticas políticas que ambos condenam.

Marina disse fazer das palavras do governador as suas. Para a ex-ministra, a aliança vai inverter o processo tradicional da política em que "faz-se a aliança eleitoral, ganha-se os governos e depois inventa-se um programa"."Vamos adensar essa aliança, dar substância a esse conteúdo político e aí sim o que é uma aliança programática poderá se tornar, se deus quiser e o nosso trabalho, uma aliança fática."

A ex-ministra também criticou a "ansiedade tóxica" da "eleição pela eleição e do poder pelo poder". "O que vai fazer a diferença não é o tempo de televisão, não é o marketing, não é a estrutura. É a nova postura."

Pesquisas. Campos foi questionado se está confortável em liderar a chapa mesmo com Marina à frente dele nas pesquisas de intenção de voto. Respondeu no melhor estilo "sonhático": "Completamente. Nem eu nem a Marina estamos buscando candidaturas. Estamos buscando uma nova política. Em 2014 nós vamos tomar uma decisão sobre a chapa".

Segundo o governador Eduardo Campos, a aliança entre ele e Marina "provocou um verdadeiro terremoto na política brasileira" e reuniu "muita gente que estava decepcionada com a política, que estava de lado".

Anões. Marina aproveitou para rebater o marqueteiro da presidente Dilma Rousseff, João Santana, que em entrevista na semana passada à revista Época afirmou que os adversários da petista são "anões antropofágicos" - sugerindo que iriam se destruir sem chegar a ameaçar uma vitória de Dilma.

"Quando a gente é o anão a gente tem uma vantagem. A gente não olha de cima para baixo, olha de baixo para cima", retrucou, com certo tom de ironia, a ex-ministra Marina Silva. "Olhando de baixo para cima a gente consegue ver o que está acima de nós. E o que está acima de nós é o futuro do Brasil". / PEDRO VENCESLAU, ISADORA PERON e BEATRIZ BULLA

Tudo o que sabemos sobre:
Eduardo Camposmarina silvapsb

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.