Campos é grande perda, mas outros jovens virão, diz Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que, apesar da "grande perda" com a morte do ex-governador Eduardo Campos, outros líderes jovens devem aparecer na política brasileira. "O Brasil é um país de 200 milhões de habitantes. O Eduardo é uma perda muito, mais muito grande para o Brasil, mas o Brasil tem dezenas de jovens participando da política. Outros vão aparecer, outros vão crescer", afirmou.

CARLA ARAÚJO, Estadão Conteúdo

14 de agosto de 2014 | 19h09

Lula lembrou a frase dita por Campos no Jornal Nacional, na véspera de sua morte. "Uma fala que o Eduardo disse antes de morrer de acreditar sempre no Brasil. Eu acho que é isso que a classe política, sobretudo a juventude que quer entrar na política, precisa acreditar", disse.

Questionado se não haveria uma lacuna para a juventude após a morte de Campos, que ao lado de Marina Silva se apresentava como uma terceira via e uma "nova forma de fazer política", Lula incentivou que mais jovens entrem para o processo político. "A única coisa que não pode acontecer na vida de um ser humano é ele negar a política, eu digo sempre assim: quando tudo estiver ruim e você não acreditar em ninguém, acredite em você e vá fazer política", afirmou.

O ex-presidente destacou seu apego à família de Campos, lembrou de jantares na casa do ex-governador e disse que, ao conversar com sua esposa Renata Campos, destacou a força representada no filho caçula, Miguel.

"Não há palavras para a gente tentar confortar alguém que perdeu um ente querido da forma que a Renata perdeu", disse. "Eu falei pra Renata: a única coisa que eu posso te dizer é tenha fé, acredita em Deus, ela tem um caçulinha, sete meses, eu acho que ele vai ser a força motora da Renata para ver esse menino crescer da forma que Eduardo queria."

Lula lembrou a campanha de 2006, quando disputava a Presidência e tinha dois palanques em Pernambuco: Campos e Humberto Costa (PT). "E o Eduardo, junto comigo e com o Humberto Costa, patrocinou talvez o maior gesto de decência política que o mundo já viu", disse, em relação ao palanque duplo.

"Eu subia com os dois no palanque, com a torcida do PSB e do PT, cada um com a sua bandeira, ninguém vaiava ninguém. Todo mundo ouviu o Humberto, todo mundo ouvia o Eduardo", disse. "E foi assim que aconteceu a campanha inteira, num gesto de grandeza do Eduardo porque ele poderia ter se recusado, e também no gesto do Humberto."

O ex-presidente disse que ainda é cedo para afirmar que gravará vídeos em homenagem a Campos que possam ser transmitidos durante o horário eleitoral que começa na terça-feira (19). "Não quero discutir isso agora, vou esperar as coisas se definirem corretamente", disse.

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