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Campos e Aécio culpam Mantega por pessimismo

Candidatos rebatem ministro, que disse não ser preciso 'tarifaço' em 2015, e voltam a apontar problemas na política econômica

LUCIANA NUNES LEAL / RIO, ELDER OGLIARI, ENVIADO ESPECIAL / PELOTAS, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2014 | 02h03

Os dois principais candidatos de oposição à presidente Dilma Rousseff contestaram ontem as declarações do ministro Guido Mantega de que haveria um "pessimismo artificial" em relação à economia ou de que 2015 será marcado pela necessidade de se reajustar tarifas públicas. Tanto Aécio Neves (PSDB) quanto Eduardo Campos (PSB) reiteraram críticas à política econômica do governo e ao titular da Fazenda.

Em entrevista publicada ontem pelo Estado, Mantega disse ser "conversa para boi dormir" a avaliação dos candidatos da oposição e de analistas econômicos de que o governo deixou de reajustar preços administrados, como os da energia ou da gasolina, para controlar a inflação. "Sei que eu não faria nenhum tarifaço em 2015", afirmou o ministro. A exemplo do que Dilma tem dito, Mantega considera haver "um pessimismo artificial, gerado por fatores extraeconômicos".

Para Aécio, o governo tenta passar a ideia de que haveria um "pessimismo patológico", e não uma avaliação de que há problemas na economia do País. "O cenário de pessimismo é consequência de uma construção desse governo que gera insegurança em todos os agentes econômicos e na sociedade", afirmou o tucano, após gravar para sua propaganda eleitoral, no Rio. "O governo mascara números, faz avaliações sempre confrontadas com a realidade e o ministro Mantega talvez seja o melhor exemplo disso."

O candidato do PSDB aproveitou as críticas ao titular da Fazenda para cobrar posicionamentos da presidente em relação a outros temas, como setor elétrico, o papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a política de desonerações de setores produtivos, entre outros. Aécio considera que o governo não tem políticas claras a respeito desses temas.

Em Pelotas (RS), Campos disse duvidar de que o governo não tenha feito planos para aumentar as tarifas públicas após as eleições, como afirmou Mantega ao Estado. "Primeiro, o ministro não deveria usar esse tipo de termo (conversa para boi dormir) e, segundo, se ele está dizendo que não vai ter tarifaço, é porque vai ter", afirmou o candidato do PSB.

"Tudo o que ele diz, acontece ao contrário. Ele disse que o juro não ia subir, o juro explodiu; disse que o Brasil ia crescer, o Brasil está caindo; disse que não ia ter desemprego e está tendo desemprego", alegou Campos. "Se ele está dizendo que não vai ter tarifaço, pode anotar aí: já está na gaveta para depois da eleição."

Petrobrás. Ao longo da agenda na região de Pelotas (RS), Campos repetiu diversas vezes uma série de críticas à gestão financeira do atual governo. Um dos temas prediletos do candidato foi a Petrobrás, estatal que, sob orientação do governo Luiz Inácio Lula da Silva, investiu no Polo Naval do Rio Grande, empreendimento que encerrou um ciclo de 40 anos de estagnação na região e que agora deixa os moradores preocupados com as constantes notícias de problemas na empresa.

Para o candidato, a Petrobrás tem postergado encomendas, perdido valor de mercado e aumentado seu endividamento. "Já se percebe em Pelotas e Rio Grande os efeitos da Petrobrás, que perdeu fôlego nos seus investimentos", afirmou, ao desembarcar no aeroporto de Pelotas, pela manhã. "A Petrobrás que foi entregue ao fisiologismo precisa ser resgatada para a governança equilibrada, capaz, para que a economia do Rio Grande do Sul perceba que a gestão melhor da empresa vai gerar empregos e oportunidades."

Em Rio Grande, Campos não foi autorizado pela Petrobrás a entrar no canteiro do polo naval. "Os problemas da Petrobrás afetaram o cumprimento de contratos de entrega e por isso não foram mantidos os 12 mil empregos. Talvez tivessem receio que destacássemos isso", disse Campos. A estatal não comentou o caso. / COLABOROU ANETE POLL, ESPECIAL PARA O ESTADO

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