Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Campos diz que segurança 'não é só na Copa'

Em município com alto índice de violência, candidato critica política federal para o setor

PATRÍCIA BASTOS, ESPECIAL PARA O ESTADO, ARAPIRACA (AL), O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2014 | 02h02

O candidato à Presidência pelo PSB, Eduardo Campos, criticou ontem a política de segurança do governo federal durante as atividades de campanha no município de Arapiraca, no interior de Alagoas, uma das cidades com maior índice de violência do País, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Em encontro com jovens ontem de manhã, Campos disse que "tem que ter segurança pública todo dia, não só na Copa", e condenou a redução de policiais na região de fronteiras.

"No Brasil, existem hoje muitas Faixas de Gaza. Os jovens, os negros, os pobres estão morrendo, e o que já foi feito em relação a isso? A presidenta Dilma tirou três mil homens da Polícia Federal que vigiavam as fronteiras do País, impedindo a entrada de drogas e armas", afirmou, antes de anunciar que seu programa de governo prevê a criação de um Fundo Nacional de Segurança Pública, ao qual Estados poderão recorrer para reduzir os índices de violência.

"Não adianta mandar um avião com homens da Força Nacional que vão embora 60 dias depois. Isso não é fazer segurança pública", reforçou, dizendo ainda que, no período em que foi governador de Pernambuco, a capital Recife saiu de uma das cidades mais violentas do País para um dos municípios que tiveram a maior queda na quantidade de mortes violentas.

Acompanhado pelo candidato ao governo de Alagoas Benedito de Lira (PP), Campos ganhou bolo e uma camiseta da Agremiação Sportiva Arapiraquense (ASA) de presente - ele faz aniversário amanhã.

O candidato mais uma vez assegurou a continuidade do programa Bolsa Família, responsabilizando funcionários do governo petista por "disseminar" que o programa de transferência de renda seria extinto.

Nordeste. "Nossa intenção é ampliar o Bolsa Família e fazer pelo Nordeste o que a presidenta poderia ter feito nos últimos quatro anos e não fez, porque ela olha para o Nordeste como um curral eleitoral. Mas somos gente e merecemos respeito. Queremos Bolsa Família, mas também queremos trabalho, indústria, segurança e acesso à água."

No encontro com trabalhadores rurais, as lideranças locais falaram das dificuldades enfrentadas por causa da seca nos últimos anos e pediram que Campos se comprometa com o perdão das dívidas dos agricultores familiares. "Fico assombrado com as cobranças sociais feitas aos trabalhadores do campo. O governo parece que não percebeu que passamos por três anos de seca em que o que foi investido se perdeu. É preciso reverter esse quadro para que o governo não viva apenas da propaganda do Bolsa Família, que, aliás, é a única proposta da presidenta Dilma."

Em seguida, reclamou da atual política econômica e disse que, depois de encerrado o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, do qual Campos participou como ministro, o País retrocedeu. "O que a gente vê é que a inflação está de volta e, enquanto isso, a presidenta Dilma deu mais de R$ 6 bilhões para o setor elétrico, que tem um péssimo serviço prestado. E esse dinheiro vai sair do bolso da população. Não podemos permitir que o Brasil perca as conquistas obtidas no passado. Já são 20 anos de governo do PT e PSDB, é preciso mudar. Precisamos ter um governo que olhe para os mais necessitados", ressaltou.

Após os dois encontros, o candidato à Presidência pelo PSB inaugurou um comitê de campanha na cidade.

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