Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Campos defende composição de 14 partidos no governo de PE

No primeiro encontro com integrantes do PSB e Rede, governador disse ser 'preconceito' achar que um filiado a partido não possa ocupar cargo público

Beatriz Bulla e Isadora Peron , Agência Estado

28 de outubro de 2013 | 18h10

São Paulo - Crítico ao sistema de coalizão do governo federal, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), saiu em defesa da composição de seu governo durante o primeiro encontro entre filiados a seu partido e integrantes da Rede Sustentabilidade em São Paulo, na tarde desta segunda-feira, 28. "Nós não podemos achar que uma pessoa, por ter filiação partidária, não pode ocupar uma função pública. Aí é outro tipo de preconceito", disse Campos, ao ser indagado sobre a participação de 14 partidos na sua base em Pernambuco e participação do PSB no governo federal do PT.

"Nós não podemos pensar que só por ter uma filiação partidária ela pode participar, mas também não podemos vetar o exercício democrático de uma pessoa que tem filiação partidária, de poder contribuir com uma gestão", completou.

Campos lembrou que disputou o governo com Sergio Xavier, que defendia a candidatura de Marina em 2010 e que, depois das eleições, o convidou para ser secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco. "Se eu não tivesse um governo que tivesse mudado as práticas políticas, que não tivesse inovado na vida do cidadão pernambucano, eu não teria 83% dos votos numa terra com tradição democrática", afirmou.

Ele ressaltou que, mesmo com a votação expressiva, considerou importantes as críticas feitas por Xavier e o procurou para ajudar a fazer "um governo melhor". "E fui buscar o ex-governador Jarbas Vasconcelos para me ajudar também", completou. Vasconcelos também foi adversário de Campos na eleição ao governo de Pernambuco em 2010.

O governador se defendeu, por fim, dizendo que "não teria a melhor avaliação entre todos os governadores no sétimo ano de governo, depois de três anos na maior estiagem, se não tivesse honrado os compromissos de inovação que assumi com o povo pernambucano".

A ex-senadora Marina Silva também saiu em defesa de Campos. Disse que se Campos fizesse um governo fisiológico, não seria tão bem aprovado pela população. "Quando falo que vamos fazer aliança programática, não significa governar sozinha. Nenhum partido tem condições de governar sozinho e nem é democrático", argumentou Marina.

Segundo ela, a posição que critica é de quando partidos fazem alianças "fora de um programa" comum. "Não significa governar sozinha, mas não poderá ser apenas distribuição do cargo pelo cargo", disse Marina, que completou: "Se ganharmos queremos governar com os melhores do PT, os melhores do PMDB, os melhores do PSDB, porque essas pessoas existem em todos os partidos".

Para a ex-ministra, a atuação baseada em programa é a política feita em países maduros. "Não é erro, não é fisiologismo, muito pelo contrário. É isso que a gente precisa inaugurar no Brasil", disse Marina, que criticou o "andar torto de fazer primeiro a aliança e distribuir cargo", que, segundo ela, "não tem mais sustentação".

Divergências. O pernambucano minimizou as diferenças que tem com Marina Silva, ao ser questionado, por exemplo, sobre posicionamentos diversos a respeito do uso de células-tronco em pesquisa. "Tive muito mais pontos de convergência com Marina. Claro que temos posições diversas, isso é positivo", comentou Campos, que afirmou ainda que os dois "já chegaram à convergência".

Os dois voltaram a criticar o sistema político atual. Marina ressaltou a necessidade de um novo modelo de desenvolvimento, com uma economia "diversificada" em que há espaço para a agropecuária "sustentável".

Pré-campanha. Campos negou que a atuação conjunta com o grupo da Rede se trate de pré-campanha e reforçou que o encontro de hoje era apenas um "debate", feito no dia do servidor público, quando muitos não estariam trabalhando.

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