Campos alerta Lula sobre perigo de antecipar sucessão

No foco do debate nacional, apontado como potencial candidato a presidente da República em 2014, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, afirmou nesta sexta-feira que não se sente pressionado a definir uma eventual candidatura. "O relógio do PSB trabalha no fuso horário do PSB", garantiu. "Não vamos trabalhar com o relógio dos outros, com o tempo dos outros e nem fazer o jogo dos outros. Vamos fazer o jogo do Brasil e o jogo do PSB".

ANGELA LACERDA, Agência Estado

01 de março de 2013 | 14h01

"Nosso jogo é muito claro", reafirmou Eduardo, sem esconder a meta de fortalecimento e protagonismo do partido no Brasil. "Não vamos atropelar ninguém, mas também jamais seremos atropelados", destacou. "Quem imaginar que o PSB vai renunciar ao projeto de ser um grande partido neste País está redondamente enganado".

Segundo ele, o PSB vai fazer seminários para "pensar o futuro e ajudar o Brasil a debater exatamente aquilo que interessa à vida brasileira". Campos reafirmou sua tese de que 2013 "não é ano de se montar palanques, mas de se montar canteiro de obras, de se animar a economia, de se unir o País".

Indagado se o ex-presidente Lula errou ao lançar a candidatura da presidente Dilma à reeleição, antecipando o debate sucessório, disse respeitar quem pensa diferente, mas alertou para o perigo dessa discussão antes do tempo. "Nunca vi quem está no governo, sobretudo quem está no governo com situação de dificuldade, antecipar o calendário eleitoral", afirmou. "Nunca vi isto dar certo".

Alinhado com Dilma

O governador garantiu que o diálogo do PSB com o governo federal, de quem é aliado, se mantém da mesma forma de sempre, refreando especulações de uma possível ruptura do seu partido com o governo federal. "Tivemos, repito, um 2011 pior que 2010, um 2012 pior que 2011 e ainda não terminamos o ano de 2012 porque não votamos o orçamento nem as regras da principal fonte de financiamento dos estados brasileiros, que é o Fundo de Participação", frisou, ao citar pontos de uma pauta de debates pendentes: indexador da dívida, comércio eletrônico, royalties.

Ao lembrar que a legenda está ajudando a presidente, tendo sido apontada com a bancada que mais votou alinhada com o governo federal, ele garantiu que a presidente Dilma "sabe exatamente o que o PSB está pensando". "Temos muito respeito pela presidente, pela sua história, pela relação que temos, pela fraternidade que temos, ela sabe o que pensamos, o que o PSB pensa, ela sabe o que pode acontecer em 2014".

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