Beto Barata/AE
Beto Barata/AE

Campos age para unificar o PSB e ficar mais forte para se desvincular do PT

Por trás da ofensiva do governador de Pernambuco pela paz no PSB está a intenção de se fortalecer perante o PT em 2014

João Domingos, de O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2012 | 18h25

Com um olho nas eleições municipais do ano que vem e outro nas presidenciais de 2014, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, dedicou-se nos últimos 45 dias a tentar restabelecer a unidade do PSB, partido que preside. O principal gesto pacificador de Campos foi oferecer a Secretaria de Relações Institucionais do PSB ao ex-ministro Ciro Gomes, até então o principal foco de dissidência no partido.

 

Por trás da ofensiva de Eduardo Campos pela paz no PSB está a intenção de se fortalecer perante o PT em 2014, numa eventual vice numa chapa com Dilma Rousseff, o que significará uma rasteira no PMDB, hoje o principal parceiro dos petistas.

 

Mas, dependendo da evolução política e do leque de alianças que pretende fazer com partidos governistas e de oposição, em outubro, Campos trabalha até com a possibilidade de o PSB lançar um candidato próprio à sucessão de Dilma. O principal nome é o dele mesmo. Porque Eduardo Campos tem sido apontado insistentemente como provável candidato à Presidência. Pesquisa Band/Ibope feita no final de dezembro registrou aprovação de 89% a seu governo, sendo lembrado como o melhor administrador de Estado.

 

O governador sabe, no entanto, que tem em Ciro Gomes um adversário interno, que vem reivindicando o direito de ser o candidato a presidente da República em 2014. Durante o congresso do PSB que reconduziu Campos à presidência do PSB, no início de dezembro, Ciro chegou a dizer que respeitava o desejo do governador de se candidatar, mas se considerava mais preparado. Disse Ciro: "Ele (Campos) precisa de mais estrada".

 

Campos trabalha muito nos bastidores. E foi pensando nisso que ele se reaproximou de Ciro Gomes. Em vez de rebater o rebelde ex-ministro em relação à "falta de estrada", preferiu dizer que Ciro era, de fato, o único candidato à Presidência dentro do partido. Afirmou ainda que está empenhado num projeto político que, no momento, é encabeçado por Dilma Rousseff.

 

O PT vê as movimentações de Eduardo Campos com muita desconfiança. O partido sabe da simpatia que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem pelo neto do ex-exilado, ex-governador e ex-deputado Miguel Arraes, o que pode ser um forte incentivo para as pretensões eleitorais do governador. E vê ainda com maior preocupação a desenvoltura de Campos em traçar alianças no Sul e no Sudeste que excluem o PT.

 

Um dos exemplos está na prefeitura de Curitiba. Nesta cidade, o PT foi tão excluído de uma aliança com o PSB, que o partido de Dilma Rousseff deverá abrir mão de disputar a prefeitura da capital paranaense para apoiar Gustavo Fruet, do PDT, ex-tucano. O adversário a ser batido é o socialista Luciano Ducci, que tem o apoio do PSDB, do DEM e do PPS.

 

Eduardo Campos já deixou claro que seu objetivo é fazer o PSB crescer nas eleições municipais de outubro. Segundo seus planos, o partido que dirige deverá participar do pleito em 4 mil municípios, com cabeça de chapa em cerca de 1,5 mil. Nas contas de Campos, será possível eleger perto de 500 prefeitos. Hoje, o PSB tem 302. Quando Luiz Inácio Lula da Silva venceu a eleição em 2002, o PT fez 292 prefeitos.

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