Campos admite dividir palanques locais

Governador pernambucano afirma que deverá compartilhar estruturas estaduais com outros postulantes ao Planalto, como Aécio Neves

Marcelo Portela , O Estado de S. Paulo

03 de outubro de 2013 | 23h23

Belo Horizonte - Provável adversário da presidente Dilma Rousseff e do senador mineiro Aécio Neves (PSDB) nas eleições presidenciais do ano que vem, o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, admitiu nesta quinta-feira, 3, a possibilidade de dividir palanques de candidatos a governador nos Estados com outros postulantes ao Palácio do Planalto.

Em visita a Belo Horizonte, Campos foi questionado sobre a aliança que seu partido mantém com os tucanos em Minas Gerais, reduto eleitoral de Aécio. Respondeu que é provável que ocorra "a experiência de palanque duplo em vários Estados".

"As dinâmicas regionais vão indicar isso. Já tivemos nas eleições de 2010, de 2006, de 2002. Não tem força no mundo que consiga evitar que aconteça em vários Estados", afirmou o governador, ao lado do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, cotado para disputar o governo mineiro - no caso de palanque duplo, ele receberia apoio tanto de Aécio quanto de Campos e daria estrutura às duas campanhas.

Lacerda foi eleito em 2008 com apoio do PT e do PSDB e reeleito ano passado em campanha capitaneada por Aécio, que rompeu com os petistas. O chamado palanque duplo pode ser a saída encontrada por Campos para estruturar seu projeto presidencial em Estados nos quais o PSB não tenha candidatura própria.

Campos esteve em Belo Horizonte para filiação do presidente do Atlético Mineiro, Alexandre Kalil, ao PSB. O evento contou com uma claque de integrantes da Galoucura, torcida organizada do time de futebol mineiro. Kalil é cotado para disputar uma vaga no Senado, mas o cartola disse apenas que não é "dono da própria candidatura". "Vou ser liderado. Eu que liderei tanto tempo agora tenho uma liderança", afirmou.

Mais tarde, no Rio, Campos participou da primeira reunião do PSB estadual, comandado agora pelo deputado e ex-jogador de futebol Romário. "O PSB está crescendo em conteúdo, em sinergia com a sociedade, em qualidade de quadros que chegam para nos ajudar", afirmou o governador de Pernambuco sobre as novas filiações.

Ratinho. Enquanto Campos ampliava seu leque de aliados, Dilma tentava ampliar mais os canais de comunicação com a população. Ela gravou ontem, no Palácio do Alvorada sua participação no Programa do Ratinho, do SBT. Na semana passada, a "agenda popular" da presidente foi participar de um bate-papo com Jeferson Monteiro, que mantém o perfil satírico "Dilma Bolada" no Twitter.

A foto de participação da presidente no programa do apresentador do SBT, inclusive, foi divulgada ontem na conta do Palácio do Planalto no Instagram, dentro da nova estratégia do planalto de ocupar todos os espaços possíveis de comunicação na internet. A conta da presidente no Twitter, por exemplo, foi reativada após ficar abandonada desde o final das eleições de 2010, quando conquistou a cadeira no Palácio do Planalto.

Transformado numa espécie de palanque pré-eleitoral, o Programa do Ratinho levará a entrevista de Dilma ao ar na segunda-feira, completando assim sua série de entrevistas com os postulantes ao Palácio do Planalto nas eleições do ano que vem.

O apresentador de TV já recebeu no programa a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (sem partido), Aécio e Campos. 

COLABORARAM TÂNIA MONTEIRO e LUCIANA NUNES LEAL

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