Camponeses faziam jogo duplo no Pará

Mesmo diante da forte repressão militar contra a Guerrilha do Araguaia (1972-1975), camponeses que serviam de guias para o Exército faziam jogo duplo. Um documento datilografado de sete páginas, datado de 1974, que integra o arquivo do major Curió, indica que pelo menos oito moradores de povoados e sítios da região sul do Pará forneciam informações aos militares e, ao mesmo tempo, mantinham contatos regulares com os guerrilheiros.A lista dos informantes inclui fazendeiros, sitiantes, barqueiros, vaqueiros e castanheiros. Manoel Freitas, dono de uma fazenda às margens do Rio Gameleira, foi um dos moradores do Araguaia que levantavam suspeitas entre os militares. O mesmo se deu com o posseiro Joaquim Gomes da Silva, de Santa Cruz do Araguaia. No povoado de Caianos, o vaqueiro Raimundo José Veloso repassava informações sobre guerrilheiros, mas era visto como simpatizante do movimento.Nas duas primeiras campanhas das Forças Armadas contra a guerrilha, guias da região davam voltas na mata com grupos de militares sem indicar a localização dos comunistas.Os camponeses que faziam jogo duplo são identificados nos papéis do arquivo Curió com pontos negativo e de interrogação. O relatório deixa claro que eles não poderiam ser usados como guias das expedições de busca a guerrilheiros na floresta.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.