Campinas vai ajudar Moçambique a combater aids

Referência nacional em projetos de combate à aids, o Centro de Controle de Investigação Imunológica Antônio Carlos Corsini, de Campinas, foi escolhido para apoiar o desenvolvimento de programas em Moçambique.A Organização Não-Governamental (ONG) Fundação Para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC) fez a seleção e vai destinar US$ 11 milhões nos próximos dois anos para a implantação de projetos sociais no país africano.Segundo a diretora do Corsini, Silvia Bellucci, a gravidade da epidemia em Moçambique fez com que a FDC definisse prioridades para enfrentá-la. Uma missão da ONG percorreu organizações nos Estados Unidos e no Brasil. Segundo Silvia, o Corsini foi escolhido por atender melhor as necessidades do projeto, batizado de Kulhuvuka.A longo prazo, o programa busca o fortalecimento da sociedade civil, conforme Silvia. Ela explica que, na primeira fase, será implantado o Teleaids nacional, que em Moçambique será chamado de Telesida, previsto para começar a operar em 25 de setembro deste ano. Por telefone, as pessoas terão informações gerais sobre a doença. Nos últimos cinco meses, foram atendidos no Teleaids do Corsini 15.427 telefonemas, a maioria de outros Estados.Em 21 de julho, será lançada uma campanha de mobilização da sociedade, que se estenderá por quatro meses. Silvia voltou nesta segunda-feira de Moçambique, onde permaneceu um mês com o sociólogo Ivo Brito, elaborando o cronograma de atividades até junho de 2004. Ela explicou que o Corsini será responsável por todo o projeto, da capacitação profissional à implantação de novos recursos, e sempre terá dois técnicos em Moçambique para acompanhar os trabalhos.A diretora não descarta que o projeto possa ser estendido a outros países africanos de língua portuguesa. Moçambique é o quinto país mais atingido pela aids no mundo, tem 17 milhões de habitantes e a estimativa é de que 15% da população esteja infectada.Segundo Silvia, os dados disponíveis indicam que há 6% de doentes no Norte, 22% no Centro e 13% no Sul do país. Ela comentou que a região Sul é prioritária por servir de ?corredor de tráfico? da doença. ?Se medidas urgentes e agressivas não forem tomadas, o país não vai ter inteligências para governá-lo, professores para as escolas, médicos para a população, e assim por diante?, considerou.A diretora acrescentou que a situação é ainda pior porque Moçambique não dispõe de medicamentos antiretrovirais. ?A situação dos doentes é precaríssima, agravada pelo nível de extrema pobreza da população afetada. Há um enorme trabalho a ser feito?, afirmou.O Corsini existe há 15 anos em Campinas e atua na prevenção, assistência e capacitação para o manejo do vírus e da doença. ?Nossa experiência demonstra que é possível manter a disseminação do vírus sob relativo controle e dar dignidade às pessoas acometidas por HIV ou Aids?, garantiu a diretora.O orçamento médio por ano da instituição campineira é de R$ 2 milhões, obtidos a partir de projetos técnicos, eventos, sócios contribuintes e participação de empresas, entre outros. Os próximos projetos do Corsini serão a construção de um abrigo para criança com o vírus HIV e da sede própria, que incluirá um hospital.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.