Campanha vai pedir afastamento

Gabeira quer mobilizar sociedade para tirar Renan da presidência

Elizabeth Lopes, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2018 | 00h00

O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) anunciou ontem o lançamento de uma campanha na sociedade para derrubar Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência do Senado. "O clima político está péssimo no Brasil porque o Senado decidiu secretamente, escondido, ir contra a vontade popular", afirmou Gabeira, durante audiência pública sobre as mudanças climáticas, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). "Por isso, nos compete iniciar uma campanha na sociedade para derrubar o Renan."Durante o evento, Gabeira fez duras críticas à absolvição do senador alagoano. "O Congresso está sufocado e o Senado está dirigido por uma quadrilha. A corrupção tem um peso grande e um alto custo." Na avaliação do deputado, os interesses do País só serão conduzidos de maneira efetiva "se for reduzido o poder da quadrilha que domina o Congresso". Ele lamentou ainda que medidas provisórias do governo dominem 85% da pauta do Congresso. Ao falar da campanha pelo afastamento de Renan, Gabeira citou a reunião de hoje da frente parlamentar pelo voto aberto. Ele acredita que há condições de obter na Justiça decisão favorável à sessão de julgamento aberta em plenário para os demais processos a que o presidente do Senado responde no Conselho de Ética. "Também estou desenvolvendo uma campanha popular na internet denominada ''''Se Entrega Corisco'''' para mostrar que Renan deve sair", afirmou o deputado. Gabeira criticou articulações que tentam vincular a votação da prorrogação da CPMF ao futuro de Renan. "Não se deve negociar a cabeça de Renan Calheiros pela CPMF. Deve-se votar contra o Renan e contra a CPMF", argumentou. O deputado rebateu também as declarações que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez no fim de semana, na Espanha, sobre o caso - quando disse que o País tem instituições sólidas para julgar as pessoas, e, portanto, não acredita que haja impunidade no Brasil. "Imagina se temos instituições sólidas!", reagiu. "É sólida uma instituição que tem de votar em segredo e escondido do povo?" E ironizou: "Não é sólida, é sorrateira."Na opinião de Gabeira, "um Congresso no chão só favorece as visões ditatoriais", por fomentar o descrédito. "Quem confia no Senado, que vota escondido e, quando saem os votos, você vê que absolveu o Renan?"Ele disse que a população está cobrando não apenas os senadores, mas também todos os parlamentares que atuam no Congresso. "Somos deputados, mas quando saímos na rua a população cobra, porque nem todos têm essa visão da situação bicameral (Câmera e Senado). Afinal, somos os políticos de Brasília."?ACAMPAMENTO DA CRISE?Um dos relatores do caso Renan, o senador Renato Casagrande (PSB-ES) afirmou que ele deveria se licenciar da presidência do Senado para que a Casa possa retornar à normalidade. "Se Renan não se licenciar, a crise continuará acampada no Senado, até a conclusão das investigações", disse Casagrande, que também participou da audiência sobre condições climáticas na Fiesp.Apesar da defesa do afastamento do presidente do Senado, o parlamentar capixaba não acredita que isso ocorra. "Eu acho que ele não vai se afastar agora." Por conta disso, defendeu a continuidade das investigações sobre as outras denúncias contra Renan para a própria credibilidade do Senado. Para ele, é preciso também investir no aperfeiçoamento da própria instituição, com a revisão do regimento do Conselho de Ética e da sessão secreta e na realização de uma estratégia dos líderes para permitir que as votações não sejam paralisadas.Casagrande acredita que a presença de Renan no comando do Senado poderá criar instabilidades também para a votação de projetos importantes para o governo, como a prorrogação da CPMF. "Com o escândalo do caso Renan, estamos parados há quase um mês. A corrupção e os escândalos causam não apenas desânimo e frustração na sociedade brasileira, mas diminui também a ação do Congresso Nacional em formar uma agenda positiva."O senador capixaba, contudo, não se mostrou favorável à instalação de uma CPI exclusiva para investigar Renan, como defendem alguns senadores. "O melhor é avançar nas investigações das representações que tramitam no Conselho de Ética. Tenho medo que uma CPI possa virar uma grande disputa com ações de pirotecnia e factóides entre oposição e base aliada, sem chegar a nenhuma conclusão." Na sua avaliação, a CPI poderia ser menos eficaz do que o próprio Conselho de Ética, que tem a prerrogativa de pedir a perda de mandato de um parlamentar sob suspeição.

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