Campanha terá semana eletrizante

Desde o início de setembro as quatro pesquisas publicadas, Ibope e Datafolha, mostraram empate entre os candidatos Gilberto Kassab e Geraldo Alckmin. Alfinetadas aqui e ali, freios partidários aqui e acolá, iam controlando o cenário belicoso, mas abafado, do campo situacionista. Na semana passada, a mudança radical da estratégia de comunicação de Geraldo Alckmin derrubou o equilíbrio precário entre os principais adversários de Marta Suplicy. O resultado eleitoral não demorou para acontecer: a intenção de voto estimulada de Alckmin parou de cair.Esta mudança na comunicação de Alckmin ocorreu em dois planos, ambos mais visíveis em inserções publicitárias: 1) a construção de uma dimensão de conflito entre atributos das figuras pessoais dos candidatos, como no comercial de uma figura de comandante de avião, que argumenta que Alckmin é uma liderança equilibrada, ao contrário de Marta ("relaxa e goza") e Kassab (que chama um eleitor de vagabundo) e 2) na remarcação do terreno político, também com foco na figura pessoal - foto de primeiro plano, metade Kassab, metade Alckmin. O conteúdo aponta diferenças políticas e de alianças ou parcerias , o tucano é apresentado como uma personalidade coerente e o adversário com características oportunistas.A campanha do tucano saiu da lógica das propostas administrativas para São Paulo, onde Alckmin vinha perdendo terreno e Kassab convertendo sua boa avaliação de prefeito em votos. Alckmin realinhou o discurso no campo onde se sai bem, o da imagem pessoal. Esta dimensão parece mais favorável ao tucano, conforme mostraram duas pesquisas de atributos individuais, publicadas recentemente pelo Datafolha. Resta ver se o eleitor e a mídia fazem o mesmo realinhamento.Estes movimentos renderam frutos, pelo menos imediatos. O estoque de votos de Alckmin (projeção para segundo turno) que tinha caído para 42% (Ibope) no início do mês voltou agora ao patamar de 47% (Datafolha), o mesmo de Marta.Dentre os votos estimulados o tucano consolidou 63% (citados espontaneamente). Antes da mudança de estratégia, tinha 55% e se aproxima de Marta e Kassab com 70% de votos cristalizados (Datafolha). Saiu-se bem também no voto feminino, retomou, se não a vantagem que detinha sobre Kassab, mas agora chega ao empate com o prefeito. O mesmo ocorreu com o eleitorado jovem (16 a 24 anos).Com o jogo empatado no conjunto, a questão é entender os indicadores que poderão definir qual dos dois, Alckmin ou Kassab, terá mais chances de ir para o segundo turno.Jogam a favor de Alckmin por enquanto, como vimos, atributos e contrastes pessoais no manejo da comunicação política na TV e rádio.A favor de Kassab, segundo o último Datafolha, há evidência de contínuo crescimento do prefeito (ou diminuição de distância entre ele e seu adversário tucano) na intenção de voto nos segmentos majoritários de mais baixa renda e escolaridade. Talvez decorrentes de resultados concretos da sua administração nos bairros.A recuperação de Alckmin (mais 8 pontos nesta semana) se deu entre eleitores de escolaridade superior, ou entre moradores nas zonas de classe média, como a Sul 1 - Campo Belo, Jabaquara, Moema, Santo Amaro, Vila Mariana, entre outros.Se o desempenho de TV parece contar muito nesta reta final, o Datafolha confirma que a comunicação de Kassab continua, no conjunto, melhor - 29%, tendo ele 22% dos votos, enquanto a de Alckmin e Marta estão abaixo de suas respectivas votações. A balança, portanto, ainda pende mais para Kassab.A história, no entanto, favorece mesmo Marta Suplicy: em 2004, a 15 dias da eleição de primeiro turno, como agora, o estoque de Marta para o segundo turno era de 43%, contra o de Serra, 50%. Hoje o estoque de Marta é maior do que há quatro anos (47%) e os de Kassab ou Alckmin menores hoje do que o de Serra então. A briga dos candidatos oposicionistas é até interessante para o refinamento da escolha do eleitor, mas parece mais interessante ainda - a médio prazo - para a candidatura petista, que mantém alto seu estoque de votos para segundo turno. A semana que segue será eletrizante, mesmo porque nem todo o arsenal disponível foi plenamente usado nas três campanhas.

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