Campanha quer tirar o peru da ceia de Natal

No lugar do tradicional peru na ceia de Natal, estrogonofe ?vira-lata? à base de carne de soja ou salada ?vaca louca?, com mussarela de búfala e alcaparras. A sugestão é da Sociedade União Internacional Protetora dos Animais (Suipa), que lança no próximo dia 25 a campanha ?Neste Natal, tire o peru da mesa?.A proposta é que a população não coma este tipo de ave pelo menos em um dia do ano. A campanha da Suipa terá até musa: Natalina, peru-fêmea salva de um abatedouro há um ano, que hoje vive entre os gatos no abrigo da entidade.A escolha de Natalina como símbolo da campanha começou às vésperas do Natal passado. A presidente da Suipa, Izabel Cristina Nascimento, passava em frente a um aviário no Catete, zona sul, quando se deparou com a ave engaiolada, prestes a ser morta. ?Ela estava magrinha, sem algumas penas?, diz.A presidente da Suipa pagou entre R$ 20 e R$ 30 para salvar o bicho, mas teve de enfrentar um senhor bêbado, que queria levar o peru para casa a qualquer custo. Ele chegou a oferecer o dobro do valor pago. Izabel, levando Natalina debaixo do braço, penou para conseguir um táxi que a salvasse do incômodo comprador.Nenhum motorista queria levar a perua. Até que as duas embarcaram num táxi com ar-condicionado. Hoje, Natalina vive no ?gatil? da Suipa. Izabel garante que não há brigas. ?Ela é zen. Não é uma perua socialite?, brinca.Izabel diz que o ?problema? não é comer o peru, mas a ?crueldade? usada para matá-lo. O texto ?A verdade por trás do peru de Natal?, que será distribuído no lançamento da campanha, diz que, antes de serem mortas, as aves são suspensas pelos pés, atordoadas com banho de água eletrificada, têm as gargantas cortadas e são mergulhadas num tanque de água fervente para soltar as penas.?Pesquisas revelaram que a cada ano cerca de 35 mil perus vão para a água fervente ainda vivos?, diz o texto. Izabel, que não come carne há 30 anos, desde que presenciou a morte de um boi a pauladas, defende o ?abate humanitário?.?Eles (donos de abatedores) dizem que dessensibilizam o animal, o deixam desmaiado antes da morte. Embora eu ache que isso (abate humanitário) não exista?, diz.Ela lembra que, mesmo nos Estados Unidos, onde se comemora o Dia de Ação de Graças, em que o peru assado é tradicional, há campanhas para mudar o cardápio da festa e acabar com o abate das aves.A Sadia, marca líder na venda de peru, nega que seu processo de abate seja cruel. ?O animal, antes de ser morto, leva um choque e perde os sentidos, fica atordoado. Não há risco de ele ser mergulhado vivo em água fervendo porque já está sem cabeça?, explicou o gerente de Marketing de Comemorativos da Sadia, Bartholomeu Stein.Ele disse que essas são normas internacionais e que a empresa recebe constantemente fiscais da Inglaterra, Alemanha e do Japão, países para os quais exporta o peru. Na segunda-feira, Izabel e outros ativistas estarão na Cinelândia, Centro do Rio, divulgando a campanha.Serão distribuídos panfletos com receitas para substituir o peru na ceia de Natal. A Suipa fará também um apelo para que a população não coma carne no dia 25, data em que a entidade comemora o ?Meatless Day? (dia sem carne).

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