Campanha pede fim da produção de produtos transgênicos

Dirigentes da campanha "Por um Brasil Livre de Trangênicos" entregaram hoje ao ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, uma carta cobrando do governo o cumprimento da decisão judicial que proíbe a produção de produtos geneticamente modificados no País. Entre as principais reivindicações estão a fiscalização do plantio e do contrabando ilegais de sementes transgênicas, além da proibição da venda desses produtos no comércio em geral.Andréa Salazar, uma das coordenadoras da campanha, disse que há produtos desse tipo circulando no mercado, bem como contrabando de sementes transgênicas da Argentina e o cultivo dessas variedades em diversas regiões do País, particularmente o Rio Grande do Sul e Paraná. Segundo ela, Parente disse desconhecer as denúncia e afirmou que o governo não tem, a priori, uma posição a favor dos transgênicos. "Queremos a imediata destruição das 5,5 milhões de toneladas de soja transgênica plantada no Rio Grande do Sul", declarou Jean Mar von der Weid, que integrava o grupo. Ele informou que a safra gaúcha está contaminada porque a soja transgênica está sendo misturada às sementes naturais. Quanto ao prejuízo que essa incineração representará, correspondente a R$ 1,1 bilhão, Jean Mar afirma que ele deve ser repassado ao governo, que permitiu uma plantação que está proibida por uma liminar do juiz Antônio Prudente, da 6ª Vara de Brasília."Há evidências de que os transgênicos apresentam riscos ambientais e de perda da biodiversidade agrícola, porque há uma contaminação genética das sementes", acrescentou Mariana Paoli, representante da ong Greenpeace. Mariana contestou a posição do ministro da Agricultura, Pratini de Morais, de que o Brasil está perdendo mercado de soja e milho no exterior por causa da proibição desse tipo de plantação. "Isso não é verdade. Ao contrário, o Brasil tem possibilidade de conseguir novos mercados, tanto na Europa quanto na Ásia, e vem exportando mais justamente por serem sementes naturais de soja e não transgênicas." Em julho, o Greenpeace vai distribuir um guia que lista cerca de 500 produtos que usam ingredientes geneticamente modificados. Entre eles, sopas semi-prontas, salsichas e batatas industrializadas, além de hambúrgueres. Os ambientalistas querem a imediata retirada desses produtos das prateleiras. Na carta entregue a Parente eles pedem ainda a imediata aprovação da resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) sobre licenciamento ambiental de transgênicos.

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