Vera Massaro e José A. Teixeira/Alesp
Vera Massaro e José A. Teixeira/Alesp

Irmão de presidente da Alesp também repassou recursos de campanha para posto da família

'Estado' revelou na semana passada que o posto União de Limeira, do qual o presidente da Alesp é sócio, compensou quase 900 cheques emitidos por duas campanhas

Fabio Leite, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2019 | 09h12

Extratos bancários da campanha a vereador de Americana em 2016 do irmão do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), Cauê Macris (PSDB), contradizem a versão apresentada por ele e por seu pai, o deputado federal Vanderlei Macris (PSDB), para explicar o repasse de R$ 881 mil feito pelas campanhas dos dois tucanos em 2018 ao posto de gasolina que pertence a Cauê.

O Estado revelou na semana passada que o posto União de Limeira, do qual o presidente da Alesp é sócio, compensou quase 900 cheques emitidos pelas duas campanhas embora não tenha sido fornecedor de nenhuma delas. Tanto Cauê quanto Vanderlei Macris alegaram que utilizaram a empresa como intermediária para fazer pagamentos a cabos eleitorais da região de Americana, berço político da família, que não possuíam conta bancária. A prática é proibida pela legislação eleitoral.

Segundo Cauê, a medida foi necessária para "agilizar os pagamentos" aos colaboradores de campanha e evitar que eles tivessem que se deslocar até São Paulo para descontar os cheques na agência das contas eleitorais. Segundo registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as quatro contas de campanha abertas por Cauê e Vanderlei foram na agência do Branco do Brasil que fica dentro da Alesp, na capital paulista.

Mas a campanha de Rafael Macris a vereador de Americana em 2016 põe em xeque a versão de Cauê. Embora tenha buscado votos apenas na cidade do interior para conquistar uma cadeira na Câmara Municipal, Rafael repassou mais da metade dos R$ 42,7 mil que declarou ter gasto na campanha para o posto do irmão. Foram 69 cheques que somam R$ 22,5 mil, conforme informou o jornal Folha de S. Paulo. A reportagem ainda não conseguiu contato com Rafael Macris.

As duas contas bancárias abertas pela campanha de Rafael Macris ficaram, inclusive, na mesma agência do banco Bradesco onde está a conta do posto União de Limeira, no centro de Americana. Ou seja, os cabos eleitorais contratados pela campanha de Rafael poderiam descontar seus respectivos cheques diretamente na agência, sem que o dinheiro precisasse passar pela conta da empresa de Cauê.

Os extratos bancários eletrônicos das três campanhas da família Macris estão disponíveis no site do TSE e foram informados diretamente pelos bancos ao tribunal, conforme resolução da Justiça Eleitoral. As contas eleitorais de Cauê foram aprovadas com ressalvas e a de Vanderlei foram reprovadas. Nenhum dos pareceres da Procuradoria Regional Eleitoral ou acórdãos do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) mencionam os repasses das campanhas ao posto de gasolina do presidente da Alesp, que é candidato à reeleição na eleição da Mesa Diretora que ocorre no próximo dia 15.

Em nota, a assessoria do presidente da Alesp afirmou que ele "é vítima de uma campanha perseguitória orquestrada por adversários que deveriam focar suas forças em construir maioria na eleição da mesa diretora".

A assessoria de Cauê menciona o fato de as informações sobre os extratos bancários da campanha do irmão dele em 2016 terem sido divulgadas em grupos de Whatsapp por integrantes do PSL, que lançou a deputada Janaína Paschoal como candidata à presidência da Alesp, antes de serem publicadas pela imprensa. 

"Às vésperas da eleição à presidência da Alesp, denúncias infundadas disparadas por whatsapp pela assessoria do senador Major Olímpio (PSL) surgem numa tentativa de imputar ilegalidade em atos julgados e aprovados pela Justiça Eleitoral. Trata-se de uma tentativa infantil de desestabilizar a candidatura de Cauê Macris", afirma a nota.

"As movimentações foram declaradas e estão publicadas na internet de maneira transparente. Os descontos dos cheques foram feitos para agilizar o pagamento dos cabos eleitorais, conforme os recibos eleitorais assinados e declarados na campanha. Se houvesse ilegalidade na prática, os instrumentos de fiscalização não aprovariam as contas", afirmou o tucano.

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