Campanha na tevê em SP foca em realizações e padrinhos

O horário eleitoral de rádio e TV queestréia na quarta-feira terá um mote comum aos três principaiscandidatos à prefeitura de São Paulo: todos vão explorar aspróprias trajetórias em seus cargos públicos como atestado doque prometem fazer pela cidade. Este vai ser o foco de Marta Suplicy (PT), ex-prefeita dacapital (2001-2004); de Geraldo Alckmin (PSDB), ex-governadorde São Paulo por seis anos (2001-2006); e do atual prefeitoGilberto Kassab (DEM), que assumiu o cargo que era do atualgovernador José Serra (PSDB). Os candidatos estão de olho nos eleitores indecisos. Empesquisa Ibope divulgada na sexta-feira, os indecisos somam 5por cento na estimulada (quando o pesquisador apresenta umcartão com os nomes dos candidatos), mas sobe para 33 por centona espontânea. "Vamos mostrar o que ela fez no governo e combinar compropostas para a frente", disse à Reuters o deputado CarlosZarattini (PT-SP), coordenador da campanha de Marta. Na área de transporte e trânsito, tema que deve dominar odebate na cidade, Marta vai enfocar realizações que pretendeampliar, como os corredores exclusivos para ônibus e o uso dobilhete único em horários maiores e com as modalidades decompra semanal e mensal. Sua campanha, com o segundo maior tempo (6 minutos e 40segundos), é comandada pelo marqueteiro João Santana, que atuouna eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Vai ser uma boa estréia", disse Zarattini, referindo-se aoresultado da pesquisa Ibope em que ela abriu uma diferença de15 pontos sobre Alckmin, o segundo colocado. Marta atingiu 41por cento das preferências enquanto Alckmin caiu para 26 porcento. Mas a disparada pode se reverter em mais ataques porparte dos adversários. "TV tem muito peso. Não decide eleição, mas podefavorecer", acredita o deputado. O programa de Alckmin, que tem à frente Lucas Pacheco, vaienfocar o que ele realizou como governador e apresentá-lo comocandidato. Na opinião de seu coordenador de campanha, deputadoEdson Aparecido (PSDB-SP), muitos eleitores desconhecem que otucano esteja na disputa. Alckmin, que tem direito a 4 minutos e 27 segundos na TV,vai dar soluções a problemas que serão apresentados noprograma. Ele foi flagrado gravando para TV em um terminal deônibus na periferia de São Paulo quando colheu depoimentos dapopulação sobre as falhas no transporte coletivo, o que podeser um indicativo de críticas ao prefeito. Kassab, cuja campanha é liderada pelo experiente LuizGonzalez, vai utilizar na TV um estilo "revista eletrônica". "O tempo comporta isso", disse um integrante da campanha.São 8 minutos e 44 segundos, fruto da soma da coligação de seispartidos políticos. O balanço numérico de realizações vai incluir, entre outrositens, a criação de 110 AMAS (Assistência Médica Ambulatorial),dois hospitais e 117 novas escolas. Sem nunca ter disputado um cargo majoritário, o maiordesafio da propaganda é tornar Kassab conhecido do paulistano etentar aproximar a aprovação da prefeitura à preferênciaeleitoral. Kassab recebeu aprovação de 35 por cento dos paulistas emjulho, segundo o Datafolha, mas a intenção de voto no mesmo mêsfoi de 11 por cento. Agora, pelo Ibope, tem 8 por cento. Apropaganda não deve bater em Alckmin, "que foi governador e nãoprefeito", segundo o assessor. Com Marta deve haver muitacomparação entre as duas gestões. PADRINHOS Os candidatos também vão colar a imagem em seus padrinhospolíticos. A campanha de Alckmin vai exibir --em princípio logona estréia-- um depoimento de Serra gravado na semana passada.Alckmin vai tentar espantar as críticas de que o governadorestá dividido entre sua candidatura e a de Kassab. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também já gravouseu recado e imagens do governador de Minas Gerais, AécioNeves, ao lado de Alckmin também serão utilizadas. Serra também deverá aparecer na campanha de Kassab, mas nãopoderá pedir voto para o prefeito uma vez que o PSDB não fazparte de sua coligação. "Mas não vamos apagar a história", dizum assessor, referindo-se ao fato de o tucano ter cumprido doisanos da atual gestão antes de Kassab assumir o posto. Da mesma forma, Lula vai estar na campanha de Marta, masele ainda não gravou um depoimento para ser incluído nasimagens de TV. "Isso é estratégico. Tem que ver o melhormomento", se limita a dizer Zarattini.

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