Campanha incentiva pais e visitarem os filhos na escola

O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, abriu oficialmente hoje o Dia Nacional da Família na Escola, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Todas as escolas do País devem estar abertas nesta terça-feira para as visitas, quando o ministro estará em São Paulo para o evento e deverá enfrentar protestos do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), que considera o programa uma festividade para melhorar a imagem do ministro. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), o custo total da campanha é de R$ 1 milhão. A proposta surgiu após a divulgação dos resultados do Sistema de Avaliação de Educação Básica (Saeb), que mostraram melhorias nas notas e diminuição da evasão escolar de alunos cujos pais acompanhavam seu desenvolvimento nas aulas.Na opinião da presidente da Apeoesp, Maria Izabel Noronha, a categoria tem pouco a comemorar. ?Estamos distribuindo uma cartilha aos professores para que eles aproveitem o dia para discutir a participação popular nos conselhos de escola, em vez de dar um caráter festivo à data?, afirmou a presidente. Em pesquisa feita pelo Ibope, 97% dos entrevistados mostraram-se favoráveis a maior participação dos pais na escola. Pais de alunos ouvidos pela Agência Estado consideram que o Dia Nacional da Família na Escola não mudará seu cotidiano, já que têm o hábito de participar da vida escolar de seus filhos.Um exemplo favorável da aproximação, segundo o MEC, é o da escola estadual Hélio de Souza Bueno, de Nova Olinda, no Tocantins: os níveis de aprovação aumentaram de 68% para 81%, enquanto a evasão escolar caiu de 30% para 18%.A vendedora ambulante Aparecida Feitosa da Silva, de 30 anos, concorda com Silva. Em sua opinião, a data não aumentará a participação dos pais. ?Estamos sempre na escola. Temos de saber como está o desenvolvimento das crianças?, explicou. Suas filhas Diana, de 12 anos, e Caroline, de 9, estudam na escola estadual Visconde de Taunay, na zona norte.Para a presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (Abpp), Nívea Fabrício, também diretora do colégio Graphein, em São Paulo, que lida com a formação de alunos desajustados na chamada escola ?padrão?, as escolas deveriam investir mais no processo de orientação familiar. ?Hoje os papéis estão meio confusos. As escolas não sabem até onde devem ir, e pais mais despreocupados acabam delegando grande parte da educação dos filhos para as escolas. Quando percebem, o problema já está instalado?, diz.No colégio Albert Sabin, na zona oeste da capital paulista, o trabalho de prevenção e orientação familiar vêm sendo desenvolvido através de palestras, debates e reuniões com especialistas. "Nessas palestras, são abordados temas como limites, drogas, sexo, violência?, diz o coordenador Marcos Costa.Na escola Lourenço Castanho, uma das mais tradicionais de São Paulo, os pais são convidados a fazer parte de debates em torno de questões pertinentes à faixa etária dos alunos, como as drogas e o álcool. Segundo Ruth Alicke Broggin, orientadora educacional do ensino médio, ?os pais de hoje trabalham mais e muitas vezes não têm a disposição para participar o tempo todo?.No lançamento do evento no Rio, Paulo Renato pediu às empresas privadas que liberem seus empregados por algumas horas para participarem das atividade, que inclui gincanas e oficinas.

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