Campanha eleitoral de 2006 ficará mais cara que a de 2002

As campanhas eleitorais de 2006 deverão ficar mais caras do que as de 2002, apesar de os candidatos terem sido proibidos neste ano de promover showmícios, fixar outdoors e distribuir brindes. Há quatro anos, foram gastos R$ 49,7 milhões para eleger governadores de 11 Estados. Esse valor, atualizado pela inflação do período, que foi de cerca de 37% segundo o IPCA acumulado, atinge a cifra de R$ 68 milhões. Agora, nesses mesmos locais, o custo subiu para R$ 83,1 milhões. Para o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, esses números mostram que antes "as coisas não eram feitas com a transparência de agora". Com o apoio da Justiça, o Congresso aprovou no primeiro semestre deste ano uma minirreforma eleitoral. O objetivo da mudança era baratear as campanhas e, conseqüentemente, reduzir as chances de uso do caixa dois. Com base nisso, o Poder Legislativo estabeleceu uma série de proibições para os candidatos, como a impossibilidade de fazer os tradicionais showmícios que nas últimas eleições levaram milhares de eleitores para os palanques de todo o País.Os 11 Estados pesquisados são Acre, Alagoas, Amazonas, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Roraima, Sergipe e Tocantins. "O que constatamos é que está havendo uma transparência maior. Não podemos achar que simplesmente houve um acréscimo. Antes, existiam despesas maiores com outdoors, showmícios e brindes. Antes, as coisas não eram feitas com a transparência que agora são feitas", afirmou o presidente do TSE, ao ser indagado se na eleição de 2002 houve caixa dois.Nem todos os governadores eleitos apresentaram suas prestações de contas. Os que venceram no segundo turno têm até o próximo dia 28 para ficar quites com a Justiça Federal. Elevações de gastos em relação à eleição de 2002 também são esperadas na disputa presidencial. Os dois candidatos que disputaram o segundo turno - o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o tucano Geraldo Alckmin - enviaram ao TSE previsões de gastos muito superiores às cifras declaradas em 2002. Lula comunicou que pretendia gastar no máximo R$ 115 milhões na campanha pela reeleição. O limite informado por Alckmin foi de R$ 95 milhões. Em 2002, o presidente declarou ao TSE ter gasto R$ 33,7 milhões e seu então adversário, José Serra, R$ 34,4 milhões. Questionado recentemente sobre essas diferenças de valores entre as duas eleições, Marco Aurélio afirmou: "O que concluímos e não podemos ser ingênuos é que em 2002 houve recursos não contabilizados."

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