Filipe Araujo/AE
Filipe Araujo/AE

Campanha de Russomanno busca ‘chefe real’ para plano

Comitê do PRB tenta ocupar função ‘vazia’ de coordenador de programa de governo; 'Estado' revelou que, oficialmente, lugar era ocupado por um 'laranja'

Fernando Gallo, Ricardo Chapola e Julia Duailibi, de O Estado de S. Paulo

28 de setembro de 2012 | 00h05

A campanha de Celso Russomanno (PRB) à Prefeitura de São Paulo começou a procurar um coordenador de fato para o programa de governo do candidato, de olho na disputa do segundo turno. A ideia é anunciar novos integrantes da equipe, inclusive o responsável por conduzir o "aprofundamento" do programa de governo, na próxima semana.

O Estado revelou na quinta-feira, 27, que a pessoa que a campanha do candidato apontava como coordenador do programa de governo era na verdade um "laranja". Tratava-se de um servidor de baixo escalão da Prefeitura que realiza funções secundárias no comitê, como agrupar sugestões de propostas enviadas por colaboradores.

Além de o servidor não exercer de fato a função de coordenador de plano de governo, a campanha havia dito que ele se chamava "Carlos Baltazar". Na realidade, o nome do funcionário é Carlos Alberto Joaquim. Servidor municipal concursado, Joaquim se apresenta como fotógrafo nas redes sociais e atua como assistente de gestão de políticas públicas na Secretaria de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho.

Russomanno negou na quinta-feira que o funcionário fosse um "laranja". "Laranja significa pessoa que é colocada na frente para fazer coisa errada", disse antes de discursar para associados de uma cooperativa de transporte público. "Ele (Joaquim) não é o coordenador, é um dos coordenadores", disse Russomanno.

O candidato do PRB, que lidera as pesquisas, minimizou o fato de o funcionário não se chamar "Carlos Baltazar" e defendeu o "nome de guerra" como forma de protegê-lo de eventual "perseguição" na administração municipal, que apoia o tucano José Serra. "Vou preservar os funcionários que estão trabalhando na minha campanha para que eles não sejam perseguidos", disse Russomanno. Questionado sobre quem seriam as pessoas que poderiam perseguir os integrantes de sua campanha, o candidato se recusou a dar nomes: "Não preciso dizer quem persegue. Vocês sabem quem são".

Novos nomes. A coordenação da campanha concluiu que precisava agregar novos técnicos e um coordenador que desempenhará a função de "aprofundar" pontos do programa de governo, que será apresentado apenas no segundo turno - Russomanno lidera hoje as intenções de voto.

A questão será discutida em reunião do Conselho Político da campanha na próxima segunda-feira. O PTB, do candidato a vice-prefeito, Luiz Flávio D’Urso, pretende indicar dois integrantes do grupo para desenvolver as propostas: o advogado Fernando Pinheiro Pedro, do PTB ambiental e que já teria colaborado no esboço do plano de governo, e Dario Rais, ex-secretário estadual de Transportes.

Russomanno virou alvo de adversários por ter apresentado como programa de governo propostas genéricas que já haviam sido apresentadas em julho à Justiça. Nesta semana, as mesmas ideias ganharam cara nova ao serem colocadas numa brochura. Os adversários sustentam ainda que suas propostas, como o aumento do efetivo da guarda municipal de 6 mil para 20 mil homens, não têm lastro orçamentário. O plano de governo impresso por Russomanno é assinado apenas por ele e por D’Urso.

O candidato recusou-se a dizer quem são os demais integrantes do programa: "Não preciso dizer quem são os outros. Eu preciso dizer quem sou eu e quem é o meu vice".

Tudo o que sabemos sobre:
Eleições 2012RussomannoPRBLaranja

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.