Campanha de Marina mudará estratégia de comunicação

Sem avançar nas pesquisas de intenção de voto, a coordenação de campanha do PV à Presidência da República decidiu mudar a estratégia de comunicação para fazer com que Marina Silva chegue ao segundo turno. A aposta da coordenação é tirar o foco da apresentação de propostas para apontar as diferenças entre a candidata verde e seus adversários Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). "Não vamos mudar no sentido de fazer uma campanha agressiva, vamos realçar as diferenças", contou o coordenador-geral da campanha, João Paulo Capobianco.

DAIENE CARDOSO, Agência Estado

30 de agosto de 2010 | 18h25

Ele negou que os coordenadores de Marina tenham sido atingidos pelo clima de derrota e informou que só depois de 3 de outubro (1º turno das eleições) a Executiva do PV se reunirá para definir o futuro do partido caso Dilma ganhe a disputa já no primeiro turno. "A eleição não está definida, a dinâmica eleitoral está ocorrendo e nós temos o melhor time", disse.

A coordenação do PV admite que o cenário é muito favorável à candidata do PT, que os números e a influência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no pleito estão "surpreendendo a todos" e que alguns colaboradores acreditam que a situação é irreversível, mesmo com um mês de campanha pela frente.

"Vamos trabalhar dobrado porque existe uma janela de oportunidade. Nós estamos no jogo, indo para as semifinais e queremos estar na final", disse o coordenador ao questionar a capacidade de sustentação da candidatura petista nos atuais índices de votação. "Não vamos fazer como o Dunga (ex-técnico da seleção brasileira de futebol), voltar no segundo tempo com a mesma estratégia. Vamos disputar até o último segundo do segundo tempo", completou.

Segundo Capobianco, embora Marina não tenha conseguido evoluir nas pesquisas, a candidata não perdeu eleitorado, como era previsto caso Dilma crescesse. Atualmente Marina varia entre 7% e 10% nas sondagens de intenção de voto, de acordo com os principais institutos, o que é considerado pela coordenação como uma "adesão consistente" e, portanto, um resultado animador. "Quem tem que se preocupar é quem está perdendo voto", avaliou.

Rádio e TV

A mudança na estratégia de comunicação já deve ser vista nas próximas propagandas de rádio e TV. Com pouco tempo nas mídias eletrônicas tradicionais (1 minuto e 23 segundos), a campanha conta com a capilaridade da candidata na internet (mídias sociais como Facebook, Orkut e Twitter), entrevistas e debates. É consenso dentro da campanha que de Marina já se saiu bem ao "quebrar o plebiscito" entre Dilma e Serra e consolidar seu nome como terceira opção de voto, mas que há uma despolitização nesta eleição e um desequilíbrio estrutural das campanhas.

"Concordamos que o País está num bom momento, mas é justamente no bom momento que a gente (eleitor) tem que ter mais responsabilidade", ressaltou Capobianco, ao defender a eleição de alguém que apresente um plano estratégico ao País.

A partir de agora, a ideia é mostrar, de uma forma clara e eficiente, que Marina valoriza a qualidade e seus adversários prezam pela quantidade, explica o coordenador. Capobianco descarta definir um "alvo preferencial" na nova estratégia, uma vez que pesquisas internas no PV indicam que Marina tem potenciais eleitores entre os dilmistas e serristas. "De forma alguma vamos jogar a toalha."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.