Campanha de Dilma lança plano de governo para saúde

A 13 dias do segundo turno, a campanha de Dilma Rousseff (PT) lançou seu programa de governo para a saúde, atacando o tema que serviu como uma das fortalezas de seu adversário, José Serra (PSDB). Sem a presença da candidata, os ministros José Gomes Temporão (Saúde) e Alexandre Padilha (Relações Institucionais) lideraram as críticas à gestão do setor durante o governo Fernando Henrique Cardoso e às propostas tucanas na campanha eleitoral.

BRUNO BOGHOSSIAN, Agência Estado

18 de outubro de 2010 | 19h34

"Quem sabe qual é a proposta do Serra para a saúde? Pelo que eu entendi, é um gigantesco mutirão de varizes e atendimentos ambulatoriais", atacou Temporão, em evento no Rio de Janeiro. "Até 2002, tínhamos um amontoado de programas desconexos e muito marketing."

Discursando para profissionais de saúde e militantes de partidos da coligação de Dilma, Temporão defendeu as políticas públicas do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. "Ele diz que o governo Lula não teria avançado tanto quanto na gestão dele. Pois eu o desafio a comparar qualquer indicador em qualquer nível. Nós fizemos muito mais", disse.

Mantendo distância da discussão polêmica em relação ao aborto, o programa petista para a saúde foi classificado como "uma política em defesa da vida". Em sintonia com o discurso adotado pela candidata nas últimas semanas, um dos 13 pontos apresentados destaca um programa de atendimento a gestantes, mas não cita casos de interrupção da gravidez no âmbito da saúde pública.

O programa prevê a implantação da Rede Cegonha, que consiste no acompanhamento de mulheres grávidas e cria um sistema de transportes para gestantes de alto risco. A proposta foi citada por Dilma no debate de ontem, na Rede TV!. Serra rebateu, evocando a promessa de criar o programa Mãe Brasileira.

As propostas foram lançadas durante uma comemoração pelo Dia do Médico na Associação Atlética do Banco do Brasil, na Lagoa, zona sul do Rio. Além de Temporão e Padilha, participaram o candidato a vice na chapa de Dilma, Michel Temer (PMDB), a ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire, secretários estaduais e municipais, militantes, e o ex-ministro da Saúde Humberto Costa, senador eleito pelo PT em Pernambuco.

A campanha petista enfatiza a prevenção (centrada no reforço da vigilância sanitária e de campanhas de vacinação), o combate ao fumo e ao consumo de álcool, e a inovação tecnológica (com o investimento e o fortalecimento de centros de pesquisa, como a Fundação Oswaldo Cruz).

Unidades de Pronto Atendimento

Com o objetivo de melhorar o atendimento de emergência no País e reduzir o tempo de espera, o programa de Dilma prevê a construção de 500 novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). A estrutura foi implantada nos últimos anos no governo Sérgio Cabral (PMDB), no Rio, e encampada pelos petistas para a corrida presidencial.

O programa apresentado hoje mostra dados sobre a mortalidade infantil em 2002 e 2007, apontando uma redução no índice de mortes de crianças no governo Lula, em comparação com a gestão de Fernando Henrique Cardoso. No documento, a melhora é atribuída ao "crescimento econômico", à "implementação de políticas sociais" e ao "aumento do acesso a esgoto e água tratada".

A campanha de Dilma promete criar incentivos para levar profissionais médicos a municípios onde há carência de pessoal, além de "aprofundar políticas para combater a precarização do trabalho em saúde". O financiamento para a ampliação do sistema público de saúde, segundo o programa, seria possível a partir da regulamentação da Emenda 29, que vincula os investimentos do setor à receita da União.

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