Campanha de Dilma cria central contra ataques na web

A campanha do PT à sucessão presidencial deflagrou esforço concentrado para evitar que versões de assuntos polêmicos atribuídas a Dilma Rousseff prejudiquem a candidata no segundo turno. O primeiro passo nessa direção foi dado ontem, no site oficial da presidenciável. A equipe de mobilização digital da campanha petista criou uma espécie de central "antiboatos", para a qual foi dado o nome de "em nome da verdade".

GUSTAVO URIBE, Agência Estado

07 de outubro de 2010 | 19h08

O objetivo é dirimir correntes de e-mails com informações falsas sobre a candidata que teriam tido impacto negativo no desempenho de Dilma nas urnas, levando a disputa presidencial para o segundo turno. A iniciativa, coordenada pela equipe de comunicação da campanha da petista, reforça o trabalho da Pepper Comunicação, que já era responsável por rebater e-mails de campanha falsos.

O secretário nacional de comunicação do PT, André Vargas, explica que a decisão de dispersar informações que esclareçam as polêmicas surgiu nesta semana, em reuniões de campanha após o primeiro turno. "Nós somos vítimas de uma campanha orquestrada de desconstrução de imagem", critica o petista, segundo o qual o PT utilizará ainda outros meios digitais para responder aos ataques na rede.

A expectativa é de que informações que esclareçam as questões sejam dispersadas também em blogs e redes sociais pela equipe do coordenador de conteúdos digitais da campanha do PT, Marcelo Branco. "Faz parte da nossa tarefa informar e não deixar que as pessoas acreditem nesses boatos", explica Helena Chagas, coordenadora da assessoria de imprensa de Dilma Rousseff.

No site, a campanha conclama os internautas a divulgarem e combaterem "os boatos na web". A primeira informação divulgada pela central responde a versão de que a candidata do PT teria dito em comício, no primeiro turno, que nem mesmo Jesus Cristo tiraria a sua vitória. "Dilma nunca disse tal frase, nem nada parecido! Dilma é católica, batizada e crismada", defende a campanha.

Em seguida, o site desmente outras informações repassadas por e-mail, como que o PT seria favorável ao aborto, que Dilma está proibida de entrar nos Estados Unidos ou que a candidata, se eleita, irá realizar uma reforma previdenciária, a qual poderia prejudicar os aposentados. "Dilma vai com frequência aos Estados Unidos", escreveu a campanha, no site.

Defesa tucana

A candidata do PT não é a primeira a lançar mão de uma central para rebater ataques na internet. No primeiro turno, a equipe de seu adversário na disputa, José Serra (PSDB), criou um espaço para responder a informações divulgadas pela internet, como de que um eventual governo do PSDB acabaria com o Programa Bolsa Família e privatizaria a Petrobrás.

A campanha tucana também pedia aos internautas que avisassem caso ouvissem ou lessem alguma informação falsa e criou até mesmo um perfil na rede de microblogs Twitter para responder aos ataques (@combataoboato). Os dois dispositivos não são operados desde agosto, quando a candidata do PT deu início à sua escalada nas pesquisas de opinião, ultrapassando Serra.

Estados Unidos

A estratégia de criar um espaço na internet que esclareça informações de campanha errôneas foi popularizada durante as últimas eleições à sucessão presidencial nos Estados Unidos, pela campanha do então candidato democrata Barack Obama.

O canal http://fightthesmears.com/, que fazia parte dos sites e blogs de campanha coordenados pela empresa americana Blue State Digital, respondia a ataques reafirmando propostas do candidato. A Blue State é parceira da Pepper Comunicação, empresa responsável pela campanha do PT na internet.

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