Campanha de Cabral pediu ‘retribuição’ por Comperj

Engenheiro diz que ex-diretor da Petrobrás cobrou recursos para reeleição de ex-governador

Julia Affonso, Fausto Macedo e o enviado especial a Curitiba Ricardo Brandt , O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2015 | 05h00

O então diretor-geral da Techint Engenharia, Ricardo Ourique Marques, disse à Polícia Federal que em 2010 se reuniu em um hotel de Ipanema com Wilson Carlos Cordeiro da Silva Carvalho, assessor financeiro do então governador do Rio na campanha à reeleição, Sérgio Cabral (PMDB), e com o diretor de Abastecimento da Petrobrás à época, Paulo Roberto Costa. No encontro, em um quarto do Caesar Park, Costa, ao lado de Carvalho, pediu dinheiro para a campanha do peemedebista.

O pedido teria ocorrido “entre janeiro e maio” de 2010. Na ocasião, segundo Marques, o ex-diretor usou como argumento “retribuição ao esforço do governo do Estado” para implantação do Complexo Petroquímico do Rio (Comperj), de interesse da empresa do engenheiro.

“Na reunião, Paulo Roberto Costa estava acompanhado de uma pessoa que ele disse ser o representante de Sérgio Cabral, governador do Estado, que Paulo Roberto Costa solicitou que o declarante aportasse recursos na campanha de reeleição de Sergio Cabral”, contou o executivo da empresa, que é um dos alvos da Lava Jato. Marques disse ter negado o apoio solicitado.

O depoimento, de 4 de maio, é o primeiro a citar Carvalho. Marques foi ouvido na sede da PF em São Paulo pelo delegado Milton Fornazari Júnior, que preside inquérito do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre o suposto envolvimento de Cabral e seu sucessor, Luiz Fernando Pezão, também do PMDB, no esquema de propinas montado na Petrobrás.

Em 2003, Carvalho foi assessor de Cabral no Senado. Entre 2007 e junho de 2010, foi secretário de Governo do Executivo fluminense. Em 2010, deixou a pasta e assumiu a função de “administrador financeiro” da campanha de reeleição de Cabral.

Inicialmente, a PF tinha informações de que outro auxiliar de Cabral, Régis Fichtner, teria participado do encontro, mas Marques não o reconheceu por foto. 

Reunião. Em delação à Procuradoria-Geral da República, Costa afirmou em abril que “durante uma reunião, em 2010, na sede do governo do Rio, Cabral lhe pediu R$ 30 milhões para a campanha de sua reeleição, juntamente com Pezão, para o Executivo do Estado”.

No encontro, segundo o delator, Cabral determinou a Fichtner, então chefe da Casa Civil, que se articulasse com Costa para que “ambos, em reuniões a serem realizadas em um hotel, obtivessem os valores oriundos de empresas contratadas” pela estatal. 

Segundo Costa, a reunião posterior foi entre Fichtner e ele. “Foi combinado que as empresas menores pagariam R$ 5 milhões cada”, afirmou o ex-diretor, citando a Skanska e a Techint. Empresas maiores, integrantes do Consórcio CONPAR, pagariam R$ 15 milhões.

A apuração da atual fase da Lava Jato passa pelo aprofundamento de dados do esquema de cartel e corrupção no Comperj, que envolve a Odebrecht e outras empreiteiras de grande e médio porte.

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