Campanha contra a fome inaugura escola no RJ

Quatro anos depois da morte do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, a campanha Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, criada por ele, não arrefeceu. O número de comitês dobrou de 250 para 500, no Rio, e a arrecadação de cestas básicas cresceu de 60 mil para 150 mil, no último Natal Sem Fome. Hoje, o movimento fundou a Escola da Cidadania, que formará 300 jovens por ano em cursos supletivos e de informática. "Mesmo sem a figura física do meu pai, a Ação da Cidadania segue forte, porque ela foi assumida por aqueles que realmente precisam. São pessoas pobres que vestiram a camisa da campanha, e ampliaram o trabalho", disse Daniel de Souza, filho de Betinho, e um dos coordenadores do movimento. De fato, as 150 pessoas que ocupavam o Armazém da Cultura, sede da associação, para assistir à inauguração da escola pertenciam a áreas pobres do Estado. A dona de casa Terezinha Mendes da Silva, de 71 anos, é exemplo desse grupo. Ela fundou o comitê Ponto Chic, bairro pobre do município de Nova Iguaçu, há oito anos. Todo Natal faz esforço para juntar pelo menos 280 cestas. "A importância dessa escola você vai ver daqui a 10 anos, é uma ação que a gente vê no futuro. Pena que não foi no meu tempo", diz Terezinha, emocionada por ter descerrado a placa que inaugura a Escola da Cidadania Herbert de Souza. A escola foi montada com recursos da venda de cartuchos de impressoras usados para reciclagem. Somente o Metrô Rio recebeu 28 mil unidades, vendidas a preços que variam de R$ 0,50 a R$ 13, cada. "Além das aulas regulares, os jovens estudarão meio ambiente, arte e cultura, saúde, informática. Sempre com ênfase à questão da cidadania", disse Daniel. A sala de informática, com 10 computadores, teve a parceria do Comitê para a Democratização da Informática. Os quarto anos da morte de Betinho também foram marcados pela inauguração de uma praça, próxima ao Shopping Rio Sul, que passou a ser chamada Praça da Cidadania Betinho, e pelo lançamento do carimbo comemorativo dos Correios, pelo Dia Nacional de Mobilização pela Vida. "No Brasil a gente não tem costume de lembrar com alegria da morte de pessoas queridas. Mas a morte também pode ser encarada como renascimento espiritual. Comemoramos, sim, a morte de Betinho, mas como forma de homenageá-lo", disse Maurício Andrade, coordenador geral da Ação da Cidadania.

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