Campanha americana é mais cara, mas nem tanto

Nos Estados Unidos, onde o voto é distrital, cada uma das 435 cadeiras na Câmara custou, segundo dados do projeto Open Secrets, R$ 5,5 milhões

Hélio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

20 Maio 2018 | 05h00

A campanha eleitoral brasileira deste ano contará com R$ 2,7 bilhões de recursos públicos. É muito? É pouco? Para tentar responder, o cientista político Jairo Nicolau levantou o gasto dos candidatos a deputado em 2014. Concluiu, com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que a campanha para a Câmara custou R$ 1,35 bilhão, ou R$ 341 mil por candidato. Os 513 eleitos gastaram R$ 974 milhões, ou R$ 1,9 milhão por cadeira de deputado.

Nos Estados Unidos, onde o voto é distrital, cada uma das 435 cadeiras na Câmara custou, segundo dados do projeto Open Secrets, bem mais caro na média: R$ 5,5 milhões (ao todo R$ 2,3 milhões, em valores de abril). Mas a média é ilusória. Por voto, os eleitos gastaram R$ 16,80 no Brasil; R$ 29,37 nos Estados Unidos. Metade deles, mais de R$ 14,40 por voto aqui; mais de R$ 21,50 lá. A cadeira na Câmara americana custa, portanto, algo como 50% a mais que na brasileira.

O campeão de gastos por lá foi o presidente da Câmara, Paul Ryan: R$ 47 milhões, ou R$ 212,90 por voto. Não é um valor tão distante do registrado pelo deputado Édio Lopes (PMDB-RR): R$ 204,40 por voto. Em termos absolutos, o campeão brasileiro foi Arlindo Chinaglia (PT-SP): R$ 11 milhões. Menores gastos proporcionais no Brasil: Jean Wyllis (PSOL-RJ), R$ 0,70 por voto, e Marco Feliciano (PSC-SP), R$ 0,50 por voto. Nos Estados Unidos: Mo Brooks, republicano do Alabama, R$ 2,12 por voto, e Val Demings, democrata da Flórida, R$ 0,22 por voto.

E o combate ao terrorismo, sai por quanto?

Desde os atentados do 11 de Setembro, o governo americano destinou US$ 2,8 trilhões a guerras e operações contra o terrorismo, revela um relatório do Stimson Center. O total corresponde a 15% do gasto discricionário entre 2002 e 2017 (22% no pico, em 2008). Manobras orçamentárias têm sido usadas para isentar esse gasto de limites fiscais. “Um conjunto mais amplo de parâmetros é necessário com urgência para tornar o investimento federal contra o terror mais transparente”, afirma o relatório.

Lacuna na teoria sobre o avião que sumiu

A TV australiana veiculou que o sumiço do voo MH370 da Malaysia Airlines, em março de 2014, pode ter sido uma minuciosa manobra suicida do piloto Zaharie Shah. Deprimido por uma crise matrimonial, diz a teoria, Shah despressurizou a cabine para deixar todos inconscientes e, antes do rumo fatal, fez uma curva para passar acima de Penang, na Malásia, sua cidade natal. A teoria tem uma lacuna. As antenas de celular de Penang captaram um celular ligado no avião, que não fez nenhuma ligação. Pertencia não a Shah, mas ao copiloto Fariq Hamid, um jovem de 27 anos que mal começara a voar no Boeing 777.

A origem do terno branco de Tom Wolfe

Tom Wolfe, o pioneiro do Novo Jornalismo morto na semana passada, adotou o terno branco por acaso. Recém-chegado a Nova York, em 1962, sem dinheiro para comprar roupa, escolheu o que era barato e se usava no verão em Richmond. “Era grosso o bastante para usar no frio também”, escreveu Michael Lewis. Wolfe usou o mesmo terno por meses, até ficar famoso e comprar um guarda-roupa igual. “O terno branco dava a impressão de que ele desempenhava um papel, quando na verdade observava”, diz Lewis. “Nunca pensou em si como um personagem, mas como um cara normal num mundo anormal.”

Michael Chabon encara a paternidade

O escritor Michael Chabon, autor de nove romances e Manhood for amateurs (“Masculinidade para amadores”), reunião de ensaios sobre ser homem, acaba de lançar Pops: fatherhood in pieces (“Pais: paternidade aos pedaços”), coletânea sobre ser pai. Chabon é casado com a escritora Ayelet Waldman, com quem tem quatro filhos adolescentes. “Sou a única mulher no meu grupo de mães que ainda faz sexo”, escreveu Ayelet, quando os quatro ainda eram pequenos. “Mesmo se perdesse meus filhos, Deus me livre, ainda teria ele, meu marido.”

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