Campanha à reeleição custa R$ 318 milhões

Campanha à reeleição custa R$ 318 milhões

Valor é o maior já registrado desde a redemocratização, e 13% superior aos R$ 282 milhões gastos na primeira eleição de Dilma, em 2010

Ricardo Galhardo e Daniel Bramatti, O Estado de S. Paulo

25 Novembro 2014 | 17h02

Atualizado às 23h41

São Paulo - O comitê pela reeleição da presidente Dilma Rousseff declarou nesta terça-feira, 25, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter gasto R$ 318 milhões na campanha – a mais cara desde a redemocratização, em 1985. O valor deste ano é 13% superior aos R$ 282 milhões (em valores atualizados pela inflação) gastos na primeira eleição da presidente, em 2010.

Além dos R$ 318 milhões, o comitê de Dilma declarou outros R$ 32 milhões referentes às chamadas despesas estimadas – gastos feitos por candidatos a governador com materiais ou eventos nos quais a presidente também apareceu. Isso eleva o custo total da campanha para aproximadamente R$ 350 milhões. O tesoureiro da campanha, Edinho Silva, trabalhou para captar recursos até a noite de segunda-feira, véspera do limite legal.

De acordo com os números registrados nessa terça, cada um dos mais de 54,5 milhões de votos da petista no 2.º turno custou quase R$ 5,83. Em 2010, quando Dilma teve 55 milhões de votos, o custo foi pouco acima de R$ 5, em valores atuais.

O valor contabilizado pelo PT fica abaixo do último teto de despesas fixado pelo partido – R$ 383 milhões – e acima da primeira previsão de custos – R$ 298 milhões. De acordo com o comitê de campanha de Dilma, a arrecadação superou em R$ 169 mil o total de gastos.

As prestações de contas mostram também que, desde a redemocratização, o presidente eleito sempre foi o candidato que teve a campanha mais cara.

O senador Aécio Neves (PSDB-MG), derrotado por Dilma, arrecadou R$ 201,3 milhões e gastou R$ 216,8 milhões, segundo informou o coordenador do comitê financeiro da campanha de Aécio, José Gregori. Ou seja, os tucanos ficaram com uma dívida de cerca de R$ 15,5 milhões.

Os números citados por Gregori diferem, porém, dos que aparecem nas prestações de contas do candidato e do partido publicadas no site do TSE. O coordenador disse que a diferença poderia ser explicada pelo contador do partido, que não foi encontrado nessa terça pelo Estado.

Doadores. O maior doador para a campanha de Dilma foi o grupo JBS, conglomerado que, além das empresas de processamento de carnes, atua no setor de produtos de limpeza. Foram R$ 69,2 milhões em doações diretas, mais que o triplo do total repassado pela segunda colocada no ranking de financiadores da petista, a empreiteira Andrade Gutierrez, com R$ 21 milhões.

Além dos repasses diretos de R$ 69,2 milhões, o JBS injetou pelo menos R$ 9 milhões em campanhas de candidatos que apoiaram Dilma e tiveram com ela despesas compartilhadas.

Em terceiro lugar no ranking, surge outra empreiteira: a OAS, com total de R$ 20 milhões em contribuições eleitorais. O setor de bebidas também está representado: a Cervejaria Petrópolis (quarta colocada) doou R$ 17,5 milhões, e a Ambev (nona), R$ 7,5 milhões.

Rede. Além dos recursos destinados à campanha presidencial, a direção nacional do PT arrecadou e distribuiu entre candidatos a governador, senador e deputado outros R$ 176 milhões.

Mais uma vez, o JBS encabeçou o ranking – o total de contribuições chegou a R$ 37,8 milhões, o equivalente a 22% de tudo o que a direção do partido arrecadou.

As empresas que vêm a seguir no ranking são todas do setor da construção: Andrade Gutierrez, OAS e Queiroz Galvão. Mas nem a soma de seus repasses (R$ 36,7 milhões) alcança o valor doado pelo JBS.


 

 

 

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