Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Camiseta de Cabral preso vira hit no Rio

Ambulante vendeu 190 unidades em cinco dias de uniforme verde da Seap; máscaras, no entanto, encalharam

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2017 | 04h00

RIO - Se teve uma pessoa que torceu para que o ex-governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) e a mulher dele, Adriana Ancelmo, ficassem presos foi o peruano Claudio Alberto Pariona, de 53 anos, ambulante que mantém ponto na Praia de Botafogo, na zona sul do Rio. Quando viu a foto do casal com a camiseta verde da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), no fim do ano passado, achou que daria samba. Ou, pelo menos, bons negócios. Estava certo. Mandou imprimir camisetas com o nome de Cabral e da ex-primeira-dama. Em cinco dias, vendeu 190 unidades, a R$ 30 cada. 

Pariona, conhecido como Gringo, ainda teve dúvidas se a camiseta venderia. Esperou a saída de um bloco na zona sul, no último dia 11. “Fui ver se tinha alguma novidade. O pessoal não estava nem usando máscara de político. Achei que valia a pena tentar.” 

Com a prisão do empresário Eike Batista, em 30 de janeiro, Gringo adicionou mais um personagem à sua coleção. E outros acessórios. Coleiras para cães, pintadas com corretor de caneta com a inscrição Eike Pobreza, saem a R$ 25. O kit da camiseta com par de algemas custa R$ 40.

“A camisa que mais sai é a de Sérgio Cabral. As pessoas estão com muita raiva de tanto que ele roubou. Fiquei surpreso. Ele roubou muito”, afirma.

Gringo fez camisetas de todos os tamanhos e modelo baby look para as moças. Também aceita encomendas. Só um grupo de amigos levou 78 unidades. “Eles vão sair num bloco, vai ter uma ala só de presos da Lava Jato.”

Ele não esperava que as roupas da Seap fizessem tanto sucesso. “Tem gente procurando na Saara(comércio popular no centro do Rio, na Uruguaiana). Ninguém tem. Só eu fiz. É a grande novidade neste carnaval.”

Raiva da política. “O povo não quer saber de político nem para brincadeira”, diz o vendedor de fantasias Gilvan José dos Santos, com a experiência de quem está no ramo há 20 anos. Santos é funcionário da tradicional Casa Turuna, fundada há 102 anos, principal endereço no mercado popular da Saara para quem procura adereços de carnaval. Pela primeira vez, a loja não encomendou máscaras de políticos.

Ele já vendeu o rosto do eterno presidenciável Enéas Carneiro, do Lula sindicalista (barbudo e mais jovem), do Lula presidente (de cabelos brancos e barba rente), da Dilma Rousseff ministra, da Dilma repaginada, de José Sarney. No mensalão, fizeram sucesso as do ministro Joaquim Barbosa, do publicitário Marcos Valério e a do ex-deputado Roberto Jefferson. Em tempos de Lava Jato, o carnaval passado foi de Newton Ishii, o “Japonês da Federal”, e do juiz Sérgio Moro. “Acabou o tempo dos políticos”, acredita o vendedor. 

A Super Festas, também na Saara, tem ainda o estoque do carnaval passado: por R$ 3 é possível comprar máscaras em papel com caricaturas de Dilma, do Japonês e até de Nestor Cerveró (a família proibiu a comercialização do produto no ano passado). Mas ainda não recebeu novos modelos. “As pessoas perderam o interesse”, afirma a gerente, Fátima Martins.

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