Aline Bronzati/Estadão
Aline Bronzati/Estadão

Camisa que Bolsonaro vestia quando levou facada esgota em evento conservador

Casal criador da marca 'Camisetas Opressoras' esteve na Conferência de Ação Política Conservadora em São Paulo

Aline Bronzati e Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2019 | 16h22

Interessados em ter uma camiseta parecida com a que o presidente Jair Bolsonaro usava quando sofreu o atentado a faca, há pouco mais de um ano, ficaram frustrados neste sábado, 12. A estampa foi a primeira a esgotar na lojinha montada pela marca “Camisetas Opressoras” na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), que acontece no Brasil pela primeira vez.

Dos cerca de 30 modelos disponíveis, a camiseta amarela com o escrito “Meu partido é o Brasil” é uma das mais procuradas, assim como a que estampa um cachorrinho fazendo cocô - e que, no lugar, tem um símbolo do comunismo. Uma camiseta sai por R$ 39,90. Ainda é possível adquirir canecas (R$ 29,90), meias (R$ 19,90) e máscara de dormir (R$ 19,90) personalizadas pró-Bolsonaro. Um kit de produtos (R$ 69,90) e o trio de camisetas por um preço promocional, de R$ 109,99, estão entre os produtos mais vendidos no CPAC.

Os produtos não são só para adultos. Há bodies infantis com o rosto de Bolsonaro e a palavra “Bolsomito”. A peça foi idealizada pelo casal Denise Amaral, 29 anos, e Wilker Amaral, 33 anos, para seus filhos gêmeos usarem em um evento com o presidente. A partir de então, os responsáveis pela marca “Camisetas Opressoras” tiveram grande demanda pelo produto e incluíram o modelo no portfólio.

“A demanda surpreendeu no evento. As pessoas adotaram a camiseta (amarela, que Bolsonaro vestia quando sofreu um atentado durante a campanha eleitoral) como se fosse um uniforme”, disse Wilker Amaral ao Estadão/Broadcast. Ele afirma ter pensado na estampa sem pretensão. 

Vender camisetas pró-Bolsonaro é o segundo trabalho do casal. Wilker Amaral trabalha com publicidade e propaganda. Denise é professora universitária. Eles admitem que as vendas este ano estão menores do que em 2018, quando o atentado ao hoje presidente provocou um boom de vendas. Há crescimentos pontuais de demanda quando o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, compra e utiliza uma estampa nova. 

O casal iniciou a marca “Camisetas Opressoras” no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, há cerca de 4 anos, antes da ascensão de Bolsonaro, por se identificarem com as bandeiras ideológicas do então aspirante a candidato. “Mais do que um negócio, é um ideal”, afirma Denise, fazendo menção ao liberalismo econômico, capitalismo consciente e o fato de serem cristãos. Eles defendem ainda temas como o armamento e são contrários à ideologia de gênero e ao aborto.

Sobre os dez primeiros meses de Bolsonaro, o casal afirma que não esperava mágica para arrumar um “estrago de anos”. Denise se diz “positivamente surpresa” com as questões econômicas e ideológicas que têm sido debatidas. Em relação à polêmica envolvendo o meio ambiente, ela enfatiza que a questão sempre existiu mas agora há "um zoom maior" sobre elas. "Não queremos que coloquem fogo em tudo, mas a gente precisa entender até que ponto é euforia ou que faz sentido.”

A “Camisetas Opressoras” foi convidada a participar do CPAC por Eduardo Bolsonaro e não pagaram nada pelo espaço. Questionados sobre eventuais pedidos de simpatizantes de fora do País ou sobre a possibilidade de participarem da edição norte-americana da CPAC, eles disseram que ainda não foram procurados a respeito. Mas adiantam que já possuem visto para os Estados Unidos. O CPAC é o maior evento conservador dos Estados Unidos, onde a primeira edição aconteceu em 1973. 

Clima

Entre os militantes de direita presentes na plateia o clima era de torcida. Formado por jovens, em sua maioria, o público que assistiu às palestras aplaudiu  cada fala contra politicos de esquerda, especialmente quando a crítica era voltada ao PT ou a Lula, ovacionou discursos conversadores nos costumes e se aninou diante de planos para reeleição de Jair Bolsonaro.

A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, foi a mais aplaudida ontem. Gritos em defesa da família tradicional, contra a chamada ideologia de gênero e de promoção da homossexualidade pontuaram a palestra da ministra, que conclamou os presentes para continuar lutando pela continuidade de um governo conservador. "Eles estão querendo usurpar o poder de volta e estão organizados. Não podemos subestimar o cão", disse sob aplausos.

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