Câmera próxima à explosão na OAB-RJ estava quebrada

A pessoa que deixou o artefato que explodiu na escada entre o 8º e o 9º andares do prédio da OAB no Rio, na tarde de quinta-feira (7), poderia ter sido filmada se a câmera localizada próximo ao local da explosão estivesse funcionando. Investigadores da Polícia Civil que estiveram no local suspeitam que o explosivo (popularmente conhecido como "cabeção de nego") tenha sido colocado por alguém que frequente o edifício (ou que contou com a ajuda de um cúmplice que conheça a rotina do local), já que há outras câmeras no prédio que estão em funcionamento.

MARCELO GOMES, Agência Estado

08 de março de 2013 | 20h34

A OAB-RJ confirmou que a câmera localizada próximo ao local da explosão está inoperante. Foi criada uma comissão interna, formada por quatro pessoas, para avaliar o esquema de segurança do prédio, considerado obsoleto pela própria autarquia. De acordo com a OAB-RJ, o atual sistema de câmeras apenas monitora, isto é, as imagens não são gravadas. Está sendo feito um levantamento de orçamentos para adquirir um sistema mais moderno, que contará com cerca de 50 câmeras em todo o prédio.

Como a OAB é uma autarquia federal, a investigação do episódio será conduzida pela Polícia Federal. A PF já instaurou inquérito para apurar o caso. A Polícia Civil vai enviar à PF o procedimento aberto pela 5ª Delegacia de Polícia (Lapa) na quinta-feira (14). Além do registro de ocorrência 2977/2013, o procedimento investigatório contém depoimentos de duas testemunhas da explosão (Luciano Arantes, diretor-financeiro da OAB-RJ, e Anderson Prezia Franco, advogado) e uma cópia do relatório 3148.3.2013 do Disque-Denúncia.

De acordo com o documento, a central do Disque-Denúncia (21-2253-1177) recebeu uma ligação anônima às 14h56, dizendo que foram colocados na sede da OAB-RJ "três dispositivos em série de retardo C4 (espécie de explosivo) de alto poder de destruição por ex-militares da reserva militar (sic) para matar Wadih Damous". Ele presidiu a OAB-RJ até fevereiro e assumirá, na segunda-feira (11), a presidência do Comissão Estadual da Verdade do Rio, cujo objetivo é investigar ações de repressão da ditadura militar em âmbito estadual.

Comissão Estadual da Verdade

A primeira reunião da Comissão Estadual da Verdade está marcada para a próxima quarta-feira (13). Além de Wadih Damous, integram a comissão o jornalista, professor e escritor Álvaro Caldas; a advogada e presidente do Comitê Brasileiro pela Anistia Eny Raimundo Moreira; o sindicalista e ex-senador Geraldo Cândido; o advogado e ex-deputado Marcelo Cerqueira; o promotor Otávio Bravo e a advogada e doutoranda em Sociologia e Direito Nadine Monteiro Borges.

"Essa bomba é um espasmo inútil do autoritarismo, certamente vai haver mais provocação com o início do trabalho da comissão. Minha proposta é pedir aos órgãos de inteligência, inclusive militares, que apurem quem são os responsáveis pela bomba", diz Marcelo Cerqueira. Para o jornalista Álvaro Caldas, os locais de tortura, como a Casa da Morte, em Petrópolis, e os desaparecidos devem estar no centro das investigações da comissão do Rio. "Há uma história que cria um ambiente de tensão. O Wadih trabalhou muito para desvendar os casos da ditadura no Rio de Janeiro, um dos centros principais de tortura e morte. E é preciso revelar nomes. Esses caras que torturaram precisam ser expostos à opinião pública", diz Álvaro Caldas, ex-preso político e autor do livro Tirando o capuz. (colaborou Luciana Nunes Leal)

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