Camelôs brasileiros rejeitam colegas estrangeiros

Os ambulantes brasileiros decretam guerra contra os estrangeiros e querem limitar a presença de coreanos, argentinos e chineses nas ruas do centro da cidade.A presidente do Sindicato dos Postos Fixos de São Paulo, Josefa Vianna Nogueira, vai apresentar esta semana à Prefeitura um levantamento prévio dessa "invasão".Só na região da Rua 25 de Março, principal ponto de concentração de barracas no centro da cidade, os estrangeiros somam mais da metade dos cerca de quatro mil marreteiros. Segundo Josefa, existem mais de dois mil pontos espalhados pela região da 25 de Março controlados por "gringos". Em um cadastramento anterior realizado entre os anos de 1998 e 1999, o número de camelôs estrangeiros era inferior a 2% do total. Na ocasião, foram registrados 22.480 ambulantes cadastrados na cidade de São Paulo. O levantamento foi feito pelas administrações regionais, segundo Josefa. Desde então não há um levantamento sobre o comércio informal. Segundo Josefa, o número cresceu muito, e a categoria vai exigir novos dados da Prefeitura. Para ela, o cadastramento deve ser feito "in loco". "Desta forma poderemos saber da realidade dessa ´invasão´", disse. "Os estrangeiros não querem se cadastrar e por isso a importância em limitarmos a presença deles nas ruas." De acordo com Josefa, os "gringos" representam uma ameaça ao comércio ambulante. "Eles não respeitam regras que estabelecem locais para os ambulantes trabalharem, chegam e montam seus pontos onde bem entendem." Para Josefa a invasão ocorreu por falha na fiscalização durante a gestão anterior. O presidente da União dos Lojistas da 25 de Março (Univinco), Maurice Saad Júnior, também teme o crescimento no número de entrangeiros na região. Segundo ele, a falta de fiscalização propiciou a vinda de camelôs de outros lugares para a capital. "A 25 de Março acabou virando quintal de todo mundo", reclama Saad. "Só espero uma ação mais efetiva por parte da nova administração". A reportagem esteve na Rua 25 de Março nesta segunda-feira para tentar ouvir os ambulantes estrangeiros. Desconfiados, eles se negam a dar entrevista. "Não vou falar nada", respondeu, irritado, um camelô coreano.Eles comercializam roupas e aparelhos eletrônicos expostos em mesas desmontáveis para facilitar a fuga durante eventual fiscalização.

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