Camargo Corrêa monta ''força-tarefa'' de defesa

Criminalistas experientes em ações por crimes financeiros e tributários tentam blindar cúpula

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

04 de julho de 2009 | 00h00

Acuada pela Operação Castelo de Areia - investigação da Polícia Federal sobre suposto esquema de evasão de divisas, lavagem de dinheiro, fraudes em licitações e formação de quadrilha -, o núcleo de defesa da empreiteira Camargo Corrêa refez sua estratégia de ação e convocou uma força-tarefa de criminalistas com larga experiência em processos judiciais referentes a crimes financeiros e tributários.A primeira meta do grupo é tentar evitar mais estragos à imagem da construtora, mas a missão considerada vital é a blindagem da cúpula - a salvo do rastreamento da PF e da Procuradoria da República.Foram contratados os advogados Arnaldo Malheiros Filho, Sonia Rahal e Celso Sanchez Vilardi. Compõe a equipe Antonio Claudio Mariz de Oliveira, veterano criminalista que já vinha se dedicando intensamente ao caso - foi Mariz quem conseguiu, por habeas corpus no Tribunal Regional Federal, devolver a liberdade a quatro executivos da construtora que a PF capturou na manhã de 25 de março.A escolha dos nomes foi feita pessoalmente pelo ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que assumiu a defesa da Camargo Corrêa pela amizade que tem com seus proprietários e para atender a um apelo do Palácio do Planalto, logo após a deflagração da operação policial que identificou doações eleitorais "por fora". "É um reposicionamento da defesa", define Bastos. "Uma decisão da direção da empresa com dr. Mariz, que é advogado da Camargo Corrêa há muitos anos. Entraram três novos advogados no caso, vamos trabalhar juntos."A Castelo de Areia aponta para Fernando Dias Gomes, Pietro Giavinna Bianchi, Dárcio Brunato e Raggi Badra Neto, os executivos, réus em ação penal aberta pelo juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal, que acolheu denúncia da Procuradoria da República. A Camargo Corrêa rejeita categoricamente todas as acusações.Os detalhes da reestruturação e da nova estratégia da defesa foram fechados em reunião segunda-feira. No encontro foi feita a redistribuição de tarefas. Malheiros Filho vai cuidar da defesa de Badra. Fica responsável pelos outros três Celso Vilardi. Duas secretárias da Camargo Corrêa - Darcy Flores Alvarenga e Marisa Iaquino, merecedoras de atenção especial do corpo jurídico - serão defendidas por Sonia Rahal.Mariz ficou com a missão tida como mais intrincada porque as provas colhidas pela procuradoria são contundentes. Trata-se do processo judicial sobre irregularidades nas obras do Metrô de Salvador, alvo de uma segunda acusação do Ministério Público Federal. Dois diretores da Camargo Corrêa teriam formado cartel para fraudar a licitação, em 1999.A preocupação dos defensores não é tanto com a questão de cunho eleitoral - os repasses já teriam sido contabilizados e declarados à Justiça Eleitoral no prazo legal, 30 de abril. O que mais inquieta a empreiteira é o dossiê apreendido com um de seus executivos - segundo a PF, 54 páginas contendo relação de instituições, partidos e deputados e respectivos valores em dólares e em reais.

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