Camargo Corrêa foi a que mais colaborou a partidos e candidatos, com R$ 50 milhões

Nem todo o montante desembolsado já foi comunicado às cortes eleitorais

Bruno Tavares e Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2010 | 14h47

As principais empreiteiras do País, que detêm maior volume de contratos relativos a obras públicas, doaram R$ 111 milhões a partidos e candidatos nas eleições de 2010. Registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que a Camargo Corrêa é a campeã de doações - repassou R$ 50 milhões a políticos. A Queiroz Galvão, outra gigante da construção civil, fez aportes que somaram R$ 46 milhões. A OAS liberou14, 94 milhões.

 

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Os dados são parciais e constam das prestações de contas dos candidatos e comitês de campanha e dos relatórios que as próprias empreiteiras enviaram aos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) e ao TSE. Nem todo o montante desembolsado já foi comunicado às cortes eleitorais. Os candidatos que disputaram segundo turno ainda têm prazo legal até o fim de novembro para apresentar nova prestação de contas.

 

Os R$ 111 milhões foram transferidos para o caixa de campanha de candidatos que concorreram a cargos em Assembleias estaduais, Câmara e Senado. Também foram contemplados políticos que disputaram cargos no Executivo, governo dos Estados e Presidência da República.

 

As empreiteiras ocupam de longe o primeiro lugar no ranking dos maiores doadores. Além da Camargo Corrêa e da OAS, constam da relação Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Carioca Christiani-Nielsen, Constran, Carioca, Mendes Júnior e Odebrecht. Elas tocam o bolo maior das grandes obras com dinheiro público.

 

O Trecho Sul do Rodoanel custou R$ 5,2 bilhões e ficou a cargo de 11 construtoras, que formaram 5 consórcios e fatiaram a maior e mais cara obra viária do País. São várias as fontes de recursos - no caso do Rodoanel, vitrine da campanha de José Serra (PSDB), o dinheiro saiu dos cofres do Estado de São Paulo e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

 

A linha 4 (amarela) do Metrô paulista, empreendimento sob responsabilidade de consórcio com 6 empresas, já consumiu R$ 2,3 bilhões em sua primeira fase.

 

Em nota, a Camargo Corrêa destacou que as contribuições do grupo para as campanhas eleitorais "são realizadas em respeito à legislação em vigor" e o crescimento dos valores repassados em 2010, em comparação a outras eleições, "insere-se em um contexto compatível com a expansão da receita bruta que, entre 2005 até 2009, atingiu um valor 2,5 vezes maior".

 

O assessor de imprensa da Carioca Christiani-Nielsen, Mário Lobo, informou que a empresa "não tem interesse em se manifestar". A OAS não atendeu e a Mendes Júnior não se pronunciou. A Serveng informou que "todas as doações estão integralmente registradas no Tribunal Superior Eleitoral e podem ser consultadas no site do TSE".

 

De acordo com a Constran e o Grupo Andrade Gutierrez, todas as doações foram feitas seguindo os parâmetros legais. "Os dados são públicos e podem ser consultados no site do TSE."

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