Dida Sampaio/AE - 21/03/2011
Dida Sampaio/AE - 21/03/2011

Câmara votará convocação de ministro para explicar ação da Abin em portos

Eduardo Campos, Paulinho e Alckmin cobraram explicação sobre monitoramento de sindicalistas

ANDREA JUBÉ VIANNA, Agência Estado

09 Abril 2013 | 18h00

BRASÍLIA - Duas comissões permanentes da Câmara dos Deputados votam nesta quarta-feira, 10, requerimentos de convocação do ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência (GSI), José Elito, para dar explicações sobre a operação coordenada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitorar o movimento sindical no Porto de Suape, em Pernambuco (PE). A operação teria o objetivo de evitar que a categoria incentivasse paralisações em outros portos brasileiros.

Na terça-feira, o Estado publicou documento sigiloso que confirma que o GSI mobilizou a Abin para monitorar portuários e sindicatos contrários à Medida Provisória dos Portos. O deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) apresentou requerimento pela convocação de Elito na Comissão de Fiscalização e Controle (CFC), e o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, presidente da Força Sindical, protocolou pedido de igual teor na Comissão de Trabalho. Ambas as votações estão programadas para a manhã de quarta. A oposição e parlamentares ligados ao movimento sindical, como Paulinho da Força, estão arregimentando deputados para tentar aprovar os requerimentos.

Nesta quarta, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), mostrou-se preocupado com a operação. “Não queremos ver a Abin desvirtuando suas funções, invadindo um campo que não é próprio de um trabalho de inteligência no estado democrático de direito”, disse durante entrevista coletiva na sede da Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul), em Porto Alegre, onde fez palestra para empresários. “Esse trabalho vai até onde manda a lei que disciplina a Abin?”, questionou. “Se for, tudo bem, mas se esse trabalho está indo além das competências da Abin e invadindo o direito de livre organização sindical, de luta dos trabalhadores, aí isso é preocupante”, comentou Campos.

Em nota, Paulinho classificou a ação do governo como "repressiva" e disse que ela "não vai calar o movimento sindical". Ele afirmou ainda que a ação do governo teve como objetivo aparelhar a Abin para "espionar, intimidar e controlar os trabalhadores e suas lideranças". O texto não menciona diretamente a presidente Dilma Rousseff, mas faz uma citação de forma velada a ela. Segundo a Força, "é inaceitável que um governo, que tem entre seus membros pessoas que foram perseguidas durante o regime militar, utilize métodos de repressão para intimidar os legítimos representantes da classe trabalhadora".

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), também pediu nesta terça-feira que o Poder Executivo federal explique a ação da Abin. "Eu não tenho detalhes, mas a gente deve esperar que o governo federal explique quais foram os objetivos, por que fez. Acho que só não se deve negar a investigação", afirmou.

Manobra. Diante do risco de Elito ser convocado, o governo entrou em campo para tentar neutralizar a reação oposicionista. Durante reunião de lideranças da Câmara, o líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), propôs um acordo a Paulinho da Força para que a convocação de Elito fosse transformada em convite, e em seu lugar comparecesse o diretor-geral da Abin, Wilson Trezza. O pedetista recusou a oferta.

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