Câmara susta adicional em atraso da folha de pagamento

Numa estratégia para obter recursos para tocar obras na Câmara dos Deputados, o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), determinou hoje a suspensão do pagamento de R$ 60 milhões em anuênios, adicionais por tempo de serviço devidos aos servidores efetivos da Casa que estão atrasados. A decisão foi tomada em reunião com a Mesa Diretora da Câmara, que resolveu sustar o pagamento para pressionar o Sindicato dos Servidores do Legislativo (Sindlegis) a não entrar na Justiça contra a direção da Câmara que, nos próximos dias, deverá fechar contrato para a "venda" da folha de pagamento dos cerca de 14,5 mil servidores da Casa. A Câmara pretende arrecadar R$ 230 milhões com a operação. Com os recursos da venda da folha dará início à construção de mais dois prédios anexos: um vai abrigar mais gabinetes para os deputados e outro será uma biblioteca. O Sindlegis entende que a folha é dos funcionários e que não cabe à presidência da Câmara fazer essa negociação. "Não tenho dúvidas de que a conta corrente pertence aos servidores. É evidente que cabe aos servidores decidirem onde vão receber os seus salários. Mas sou uma pessoa realista e de bom senso e não quero entrar em atrito com o presidente da Câmara. Não coloco meus filiados em luta para perder", disse Magno Mello, presidente do Sindlegis. Até o início da noite de ontem, ele não havia sido comunicado sobre a suspensão do pagamento dos anuênios atrasados. Foi um integrante da Mesa da Câmara que informou sobre a sustação do pagamento. O Orçamento da Câmara deste ano já prevê R$ 60 milhões para pagar os anuênios - benefício que aumenta em 1% o salário do funcionário por cada ano trabalhado. Os anuênios em atraso referem-se aos anos de 2004 e 2005, quando houve uma mudança na metodologia de cálculo. Se os atrasados não forem pagos até dezembro, essa verba volta para os cofres da União. Desde o início do ano, logo depois de assumir a presidência da Câmara, Chinaglia negocia com bancos a venda da folha de pagamento da Câmara que movimento cerca de R$ 160 milhões por mês. A partir de então o Sindlegis se posicionou contra o negócio e a diretoria do Sindicato decidiu recorrer à Justiça, caso Chinaglia concretize o negócio. As negociações estão avançadas para manutenção da folha até 2011 no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal. As duas instituições já ofereceram R$ 180 milhões pela folha. Mas a direção da Câmara quer que a oferta chegue aos R$ 230 milhões. Chinaglia reúne-se na terça-feira com o presidente do Banco do Brasil para discutir o contrato. NiemeyerO arquiteto Oscar Niemeyer já foi contratado para fazer o projeto dos dois novos edifícios. O prédio contará com 570 gabinetes - 57 a mais que os 513 deputados _ de 62 metros quadrados. Os gabinetes hoje têm 42 metros quadrados e parte deles é sem banheiro. Os gabinetes extras serão uma reserva caso haja alteração na Constituição para aumentar o número de deputados federais.

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