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Favoritos à presidência da Câmara retardam candidatura para evitar desgaste

Rogério Rosso (PSD-DF), Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Fernando Giacobo (PR-PR) devem se inscrever apenas na véspera da votação

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2016 | 12h32

Os favoritos para a disputa da presidência da Câmara ainda não formalizaram as suas candidaturas. Rogério Rosso (PSD-DF), Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Fernando Giacobo (PR-PR) devem se inscrever apenas na véspera da votação para evitar o desgaste e ganhar mais tempo nas negociações. Um dia após a renúncia do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência, nesta sexta-feira, cinco deputados registraram as suas candidaturas na Mesa Diretora; o número deve chegar a cerca de 15 nomes até a data da votação, na próxima semana.

Embora negue que esteja concorrendo ao pleito, Rosso é considerado o candidato mais forte da disputa. Aliado do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Rosso conta com o apoio do peemedebista, que tem defendido a sua candidatura como principal candidato do "Centrão", formado por 13 partidos. Ontem, Rosso afirmou que "centenas de deputados têm se manifestado a favor dele" e que será candidato se houver "consenso". Ele negou que seja aliado de Cunha e disse que essa é uma forma de seus adversários "desconstruírem" uma eventual candidatura.

Outro favorito da disputa é Rodrigo Maia, que conta com o apoio de parte da base do presidente em exercício Michel Temer: PSDB, PPS, DEM e PSB. Na disputa pela liderança da Casa, Maia foi preterido por André Moura (PSC-SE), e agora o espaço está sendo cobrado pela antiga oposição. Maia afirmou ao Estadão que só vai formalizar a sua candidatura depois de costurar o seu apoio junto aos partidos de esquerda (PT, PSOL e PCdoB). Ele também buscará o apoio do centrão. "Eu posso ser o candidato que vai unificar a Câmara", disse.

O líder do PT, Afonso Florence (BA), afirmou que o partido não vai lançar candidatura própria e que vai se reunir na próxima segunda-feira, 11, para definir o apoio da legenda a um dos deputados. Segundo ele, todos os candidatos informais o procuraram pedindo apoio. "Temos preferência por um candidato que tenha votado contra o impeachment, mas isso não é um condicionante. Vamos apresentar uma agenda de pauta social, e queremos um candidato com potencial de ir para o segundo turno", declarou.

Outro candidato que está entre os favoritos para a eleição é o segundo vice-presidente da Casa, Fernando Giacobo. O parlamentar já costuma presidir as sessões em plenário na ausência de Maranhão. Ele disse que será candidato "se Deus quiser e o povo permitir". Caso seja eleito, uma nova eleição teria que ser feita para preencher o cargo de Giacobo na segunda vice-presidência da Casa, o que está abrindo negociações para o cargo. O mesmo vale para o primeiro-secretário da Casa, Beto Mansur (PRB-SP), que também está na corrida pela presidência.

Em situação confortável devido a falta de nomes fortes da oposição na eleição, interlocutores do Planalto dizem que Michel Temer não pretende interferir na disputa para evitar um desconforto com os partidos da base. Segundo o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, o acirramento entre os aliados terminará após a eleição. "Problema haveria se o governo tomasse um lado, como governos anteriores fizeram", afirmou. A Geddel, Temer teria dito que entende que este é um problema interno do Legislativo e que o Executivo não deve interferir.

Inscritos. Os nomes dos cincos candidatos já registrados estão divididos entre adversários e aliados do ex-presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ). São eles: Fausto Pinato (PP-SP), Marcelo Castro (PMDB-PI), Carlos Henrique Gaguim (PTN-TO), Carlos Manato (SD-ES) e Fábio Ramalho (PMDB-MG).

Desafeto de Cunha, Fausto Pinato foi o primeiro relator do processo de cassação do ex-presidente da Câmara no Conselho de Ética. Entre os adversários de Cunha na disputa também está o ex-ministro da Saúde do governo Dilma Rousseff, Marcelo Castro (PMDB-PI).

Gaguim chegou a renunciar à vaga de membro titular da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para não ter que votar contra o peemedebista, conforme orientação do PTN. Já Manato é da bancada do Solidariedade, liderada por Paulinho da Força (SP), um dos maiores aliados de Cunha.

Outro aliado de Cunha, Fábio Ramalho é mais um peemedebista que decidiu dividir a disputa pela presidência. Outro membro da legenda que deve participar da eleição é o deputado Osmar Serraglio (PR), presidente da CCJ, o que deve dividir ainda mais a bancada do PMDB.

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