Câmara ouve irmão de Renan sobre caso Schincariol na quarta

No mesmo dia, Conselho de Ética no Senado vota relatório que pede perda de mandato do presidente da Casa

03 de setembro de 2007 | 15h36

O deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), irmão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB),  prestará depoimento no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, 5. No mesmo dia, um relatório que pede a perda de mandato do seu irmão, Renan Calheiros (PMDB), presidente do Senado, será votado no Conselho de Ética do Senado.   Olavo sofre processo por quebra de decoro parlamentar por suposta participação em fraudes em licitações públicas ocorridas em programas governamentais, entre eles o Luz Para Todos.   Olavo, que já apresentou sua defesa por escrito ao Conselho, afirma que a representação oferecida contra ele pelo PSOL,  baseia-se "em matérias jornalísticas de conteúdo inverídico, leviano e irresponsável".   O deputado diz que as notícias não podem ser transformadas "em mola propulsora de um procedimento disciplinar de tamanha envergadura, sob pena de grave violação à liberdade do exercício da atividade parlamentar". O deputado afirma que o PSOL não aponta nenhum indício contra ele.   O partido cita conversa gravada entre o empresário Zuleido Veras, da construtora Gautama, e a diretora da Gautama Fátima Palmeira, na qual mencionam uma emenda que teria sido apresentada por Olavo Calheiros, que beneficiaria a empresa. O esquema de fraudes, que seria liderado por Zuleido Veras, foi descoberto pela Polícia Federal na "Operação Navalha".   Caso Schincariol   O PSOL cita ainda acusações publicadas na revista Veja segundo as quais a cervejaria Schincariol teria comprado por R$ 27 milhões uma fábrica de refrigerantes avaliada em no máximo R$ 10 milhões, pertencente ao deputado Olavo Calheiros.   Segundo a revista, a fábrica de refrigerantes Conny foi aberta em 2003 por Olavo Calheiros na cidade de Murici (AL). O então prefeito Remi Calheiros, irmão de Olavo, cedeu um terreno avaliado em R$ 750 mil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financiou R$ 6 milhões. Um ano depois, a fábrica estava praticamente falida, com R$ 10 milhões em dívidas. Mesmo assim, ainda de acordo com Veja , Olavo Calheiros conseguiu ter um lucro de R$ 17 milhões.   Renan também responde a processo no conselho do Senado, aberta pelo PSOL, sob suspeita de ter favorecido a cervejaria.   Arquivamento   Olavo Calheiros solicita o arquivamento da representação "em face de sua manifesta inépcia". No caso de prosseguimento das diligências pelo Conselho de Ética, defende que seja ao final julgada improcedente. O parlamentar não arrolou testemunhas para a sua defesa.     (Com Agência Câmara)

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