Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

'Câmara não perdoa traição', diz Cunha

Peemedebista afirma que não perdeu apoio desde que assumiu o comando da Casa e chama governo Dilma de 'filme de terror'

Caio Junqueira e Daniel Carvalho, O Estado de S.Paulo

07 Novembro 2015 | 02h05

BRASÍLIA - O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), avaliou, em entrevista ao Estado, que não perdeu apoio na Casa desde que assumiu o posto, em fevereiro. Afirmou que a pressão externa se deve a movimentos pagos e, em recado a grupos que tentam derrubá-lo, disse que a Casa não admite "traição". Para ele, o ex-presidente Lula tem mais apoio no Congresso do que a presidente Dilma Rousseff, cujo governo é "um filme de terror".

Como avalia a situação do sr. no Conselho de Ética?

Não acho que o jogo já está dado. Não vi apoiamento político meu se perder em nenhum momento do ponto de vista factual. Fui eleito contra o governo e contra a oposição. O candidato que a oposição apoiou (Júlio Delgado, do PSB-MG) é investigado na Lava Jato, assinou a representação contra mim e está me julgando. Talvez seja uma coisa que eu venha a questionar, (pedir) o seu impedimento. Você formalmente ser coautor da representação e julgar aí já é um ato praticado.

Que avaliação faz sobre o apoio político na Casa desde que o sr. assumiu?

Não vejo qualquer diferença.

O líder do PMDB, Leonardo Picciani, articula para suceder-lhe. O sr. se considera traído por ele?

Não acredito que seja verdade isso. Se for verdade, é um tiro no próprio pé dele. A Casa não perdoa traição.

Sente pressão externa pela sua saída?

Não tenho pressão externa. Tem grupo organizado e pago com esta finalidade.

Até as feministas?

Acho que é de uma bobagem inominável. Você não viu um gesto meu para nenhum tipo de coisa. (Elas) aproveitaram os eventos para associar isso e me constranger. Se é pelo projeto, deviam ter feito quando apresentei o projeto, há três anos.

A que deve sua força na Casa? Dizem que o sr. ajudou a campanha de 100 deputados.

Isso é folclore. Uma coisa é, no meu partido, eu ter participado de conversa de ajuda de campanha. Outra coisa é você falar a Casa, 100 deputados.

O sr. acha que PT e PSDB vão apoiá-lo na defesa do mandato?

Não sei. Nem conversei nem vou conversar sobre isso. Vou apresentar minha defesa e deixar que eles julguem.

Há um pacto de não agressão com o ex-presidente Lula?

Não. O que há é que em alguns momentos tenho o mesmo pensamento dele de que não tem que prejulgar ninguém. Há uma disputa política que se concentra muito nele em função de embate eleitoral contínuo.

Qual a diferença da situação de vocês?

O meu cerco é definido, é colocado. Querem me colocar como chefe do petrolão, que é uma coisa risível, quando todos esses fatos que foram colocados eu era oposição ao governo do Lula. O governo, não há dúvida, é o culpado da corrupção da Petrobrás seja por ação ou omissão. Mas é o culpado. Com Lula acho que tem um embate político.

Lula tem mais base atuante hoje no Congresso do que Dilma?

Com certeza. O Lula fez e faz política. Foi presidente por oito anos fazendo política e faz política. Ele é um político. Ela não. É óbvio isso.

Lula está mais preocupado com ele ou com Dilma?

Diria que houve uma evolução a favor dele na medida em que houve a troca do Mercadante pelo Jaques Wagner. O grupo dele reentrou no Palácio.

Ele fez isso dentro de um cálculo para 2018?

Não sei. Acho que foi mais para que o grupo político dele voltasse a ter importância política.

O PMDB iria com Lula em 2018?

Impossível. O ciclo do PT se exauriu. Mesmo se for Lula. O PMDB não aprova numa convenção uma aliança com o PT.

Quando o sr. vai decidir sobre o impeachment?

Curso do mês de novembro. Antes do dia 15 não será.

O que vai nortear a decisão? Qual o critério?

Técnico.

A decisão está atrelada ao que ocorrer no Conselho de Ética?

A minha decisão vai ser defendida e sustentada de público, não amarrada a qualquer outro movimento.

O sr. já conversou com o Lula sobre isso?

Não. Sobre isso, nunca.

Decidir sobre o impeachment é sua tábua de salvação?

Não é nem minha tábua de salvação nem pode ser a tábua de afundamento. Tem que se isolar. Não posso decidir nada que não seja com base técnica, com base em qualquer interesse ou visão pessoal minha, ou qualquer retaliação ou qualquer retribuição.

Qual a marca da gestão Dilma?

Tem que esperar acabar. Neste segundo governo, por enquanto, está um filme de terror.

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