Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

PSOL aciona MPF por interesse do 'gabinete do ódio' na DarkMatter

Suspeita é de que o grupo que atua no governo Bolsonaro poderia utilizar a ferramenta de espionagem contra jornalistas e opositores nas eleições 2022

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2022 | 08h26
Atualizado 19 de janeiro de 2022 | 11h16

A bancada do PSOL na Câmara enviou ao Ministério Público Federal (MPF) um requerimento solicitando investigações sobre o suposto interesse do ‘gabinete do ódio’, grupo que atua no Palácio do Planalto, por uma ferramenta de espionagem chamada DarkMatter, que poderia ser usada contra jornalistas e opositores do governo nas eleições deste ano. 

O grupo de parlamentares considera a tentativa de adquirir o dispositivo como um risco à democracia no Brasil. No pedido enviado ao MPF, o PSOL afirma que o governo federal tem viés autoritário e um “histórico de perseguições” a inimigos internos. Com base nesses argumentos, pedem que as “instituições atuem para frear o viés antidemocrático do governo Bolsonaro”.

O grupo pede que a investigação foque atenções no vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). Segundo reportagem do UOL, um integrante do gabinete do ódio teria manifestado interesse por um programa chamado DarkMatter em uma feira de tecnologia em Dubai, em novembro do ano passado. Essa pessoa, cujo nome não foi revelado, representaria extraoficialmente o vereador.  

A ferramenta, criada por uma empresa dos Emirados Árabes Unidos, oferece aos governos um serviço privado de espionagem. O software permite não apenas espionar elementos criminosos, como grupos terroristas e cartéis de traficantes, como também ativistas e jornalistas. 

Os parlamentares querem ter acesso às agendas de cada um dos integrantes da delegação brasileira que estiveram em Dubai naquela ocasião, além de detalhes sobre como foi organizado o encontro entre o representante brasileiro e a DarkMatter.

O uso de spywares — softwares de espionagem — é cada vez mais difundido entre governos mundo afora. No ano passado, informações obtidas pela Anistia Internacional apontaram que mais de 50 mil pessoas já foram alvos de espionagem por clientes da empresa israelense Pegasus, que oferece serviço semelhante ao DarkMatter.

Procuradas, as assessorias de Carlos Bolsonaro e do Palácio do Planalto ainda não se manifestaram sobre o suposto interesse pela DarkMatter. O espaço segue aberto. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.