Câmara livra da cassação pefelista que recebeu do valerioduto

A Câmara livrou o deputado Roberto Brant (PFL-MG)da perda do mandato. Por 283 contra e 156 a favor da cassação os deputados absolveram o único integrante do PFL processado por recebimento de dinheiro do valerioduto. Votaram 458 parlamentares e foram registradas 18 abstenções e um voto em branco. Ex-ministro da Previdência do governo Fernando Henrique Cardoso, Brant disse no seu discurso de defesa do plenário que deixará a vida pública. Brant dispensou seu advogado e assumiu sua própria defesa no plenário da Câmara. Antes mesmo do seu discurso, os pefelistas já davam como certa sua absolvição, confiantes nos votos do PT e da maioria das bancadas do PSDB, PMDB, PP e PL.Ao defender a cassação de Brant, o deputado Nelson Trad (PMDB-MS), relator do processo de cassação contra o pefelista no Conselho de Ética, usou uma declaração do ex-presidente da Câmara Luiz Eduardo Magalhães (PFL-BA), morto em 1998, segundo a qual a Câmara não tinha receio nem vacilava em relação às denúncias contra deputados. Para o relator, os deputados devem cumprir seu dever, punindo Brant.Durante a leitura do parecer, cerca de 30 deputados estavam no plenário da Câmara, e poucos prestaram atenção no parecer. O deputado Roberto Brant entrou no plenário cinco minutos depois do início da leitura do parecer. Ao terminar sua defesa, Brant foi aplaudido de pé pela maioria do plenário.Dinheiro para campanhaEle é acusado de receber R$ 102,8 mil do esquema de caixa 2 que seria operado pelo empresário Marcos Valério de Souza. Seu assessor, Nestor Francisco de Oliveira, sacou o dinheiro da conta da SMPB, no Banco Rural em Belo Horizonte, em 2004. Brant, que foi ministro da Previdência no governo Fernando Henrique Cardoso, confirmou, após ter sido denunciado no esquema do mensalão, que seu assessor Nestor Francisco de Oliveira sacou R$ 102.8 mil da conta da SMPB do Banco Rural, em Belo Horizonte, em 2004. ?Isso é verdadeiro. Eu confirmo?, disse. O pefelista explicou que esse dinheiro se refere a uma doação feita pelo presidente da Usiminas, Reinaldo Soares Campos, para sua campanha a prefeito de Belo Horizonte. O repasse, porém, nunca foi informado à Justiça Eleitoral.?O presidente da Usiminas prometeu doar R$ 150 mil para a minha campanha, mas disse que faria isso por meio da agência de publicidade da sua empresa, que é a SMPB?, justifica. Segundo ele, do total doado foram recebidos R$ 102.812,76 porque a SMPB faturou esses recursos como despesa de publicidade e deduziu a sua comissão (impostos e outras despesas). ?Mas é recurso que veio da iniciativa privada, não é recurso público. Foi doação da Usiminas." O dinheiro, segundo Brant, foi usado para pagar Iran Pessoa de Melo, que fez a campanha publicitária da sua candidatura. Ele confirmou também que esses recursos não foram informados na prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral: ?O presidente da Usiminas entendeu que a doação tinha de ser feita dessa forma. Então, não tinha como prestar contas disso, pela forma como foi feita." O parecer do relator do processo, deputado Nelson Trad (PMDB-MS), foi favorável à cassação de Brant. Sob suspeita da existência de um acordão para salvar o deputado, o Conselho de Ética da Câmara registrou um empate na votação do parecer por 7 a 7. O voto de minerva foi do presidente do Conselho, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), que optou pela cassação.Nota da Redação: Esta matéria foi atualizada às 20 horas com o placar final da votação

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