Câmara Legislativa do DF cria CPI para apurar mensalão do DEM

Comissão irá analisar todos os governos do DF entre 1991 e 2009, o que inclui Arruda, Roriz e Cristovam

Vannildo Mendes, de O Estado de S.Paulo,

09 de dezembro de 2009 | 20h21

Dpois de passar seis dias ocupada por estudantes que pediam o impeachment do governador José Roberto Arruda (DEM), a Câmara Legislativa do Distrito Federal acatou nesta quarta-feira, 9, o projeto-de-lei, com a assinatura de membros de todas as bancadas, que cria uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a rede de distribuição de propina a políticos e membros do governo local, conhecida como mensalão do DEM. A comissão irá analisar todos os governos do DF entre 1991 e 2009, o que inclui, além da administração de Arruda, as de Joaquim Roriz (PSC) e Cristovam Buarque (PDT).

 

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Desmantelado pela operação Caixa de Pandora, o esquema seria comandado pelo governador Arruda, alvo de três pedidos de impeachment recebidos pela Casa. Com a CPI e a instalação da comissão especial que recomendará a abertura ou não do processo de impeachment, a Câmara espera dar uma satisfação à opinião pública. Atua também para se descolar da crise e deixar o desgaste no âmbito do Poder Executivo, de onde o propinoduto era operado pelo ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa. "A crise é muito séria e exige respostas à altura", afirmou o deputado Paulo Tadeu (PT-DF).

 

Arruda joga com a maioria folgada que desfruta no Legislativo - até a crise ele tinha 19 dos 24 distritais da casa - e com o fator tempo. No próximo dia 15 começa o recesso parlamentar e tanto a CPI como o pedido de impeachment ficarão em suspenso até 2 de fevereiro. Mesmo com a debanda de partidos da base, Arruda continua com maioria folgada e dominará tanto a comissão especial, como a CPI. "Vai ser um massacre, estamos em nítida desvantagem", previu a deputada Jacqueline Roriz (PMDB), filha do ex-governador Joaquim Roriz (PSC), que tentará voltar ao cargo em 2010.

 

Mas a correlação de forças pode mudar e sinais nesse sentido já começaram a aparecer. Seis partidos da base aliada romperam com o governador e estão orientando suas bancadas a votarem pelo impeachment. É o caso do PDT, PSB e PSDB, que somam cinco votos. Citado nas investigações por Durval como um dos mensaleiros, o deputado Rogério Ulisses (PSB) fez um discurso emocionado no qual negou as acusações. Ele chamou Durval de "desqualificado" e definiu o mensalão do DEM como "submundo criminoso da política brasiliense".

 

O futuro do governador, porém, está nas mãos do Diretório Nacional do DEM, que na sexta-feira, 11, decide sua expulsão. Nesse cenário, além de perder legenda para disputar a reeleição, ele sangrará no cargo até o final do mandato, em 2010 e ficará mais vulnerável ao impeachment.

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