Câmara dos Deputados mantém média histórica de renovação

Oposição perde força, enquanto aliados do governo aumentam o número de representantes; rotatividade foi de 45%

do estadão.com.br

07 de outubro de 2010 | 10h50

A Câmara dos Deputados teve 45% de sua bancada renovada nas eleições de 3 de outubro, número considerado normal por analistas e políticos ouvidos pelo estadão.com.br. No total, 230 dos 513 deputados não se reelegeram para o congresso.

 

A proporção de deputados que não tiveram seu mandato renovado segue média histórica registrada pelo cientista político da Universidade Federal de Minas Gerais, Carlos Ranulfo.

 

"O normal é ter uma renovação de 40%. Isso acontece devido ao sistema eleitoral brasileiro, cujo âmbito de atuação é muito vasto", explica. "O voto proporcional, por não dividir os estados em distritos, torna a campanha muito cara."

 

A renovação neste ano, no entanto, está abaixo da verificada nas eleições de 2006, quando 240 parlamentares não conseguiram permanecer na Casa.

 

Ranulfo explica ainda que muitos deputados deixam seus cargos no meio da administração para disputar eleições em seus municípios. "Quando se elegem, eles não voltam para câmara, impossibilitando a reeleição", conta.

 

O deputado federal José Aníbal (PSDB-SP), reeleito nestas eleições, avalia que o sistema de proporcionalidade dificulta a permanência na Câmara.

 

"Aqui em São Paulo, por exemplo, estamos disputando 100 mil votos num universo de 31 milhões de eleitores. É uma coisa esquizofrênica", afirma.

 

Aníbal aproveitou para defender o sistema distrital como forma de corrigir essas falhas. "Os números provam que este modelo atual está esgotado. O voto distrital garantiria lealdade do político à sua base, além de baratear as campanhas", diz.

 

Mais à esquerda de Aníbal, o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP), endossa as críticas ao modelo atual que ele chama de "uma distorção da democracia". "Há uma relação íntima entre poder econômico e captação de voto. Com dinheiro, é eleito quem está ou não no poder", afirma.

 

Oposição. Os partidos que fazem oposição ao governo Lula minguaram neste último pleito. PSDB, DEM e PPS tinham antes da eleição 130 deputados federais. Agora, os três somam apenas 108.

 

Os partidos que mais cresceram são da base governista. O PR passou de 23 para 41 representantes na câmara e o PSC de 9 para 17. O PT, antes segunda maior bancada com 79 parlamentares, é agora a maior, com 88.

 

Campeão. Campeão de votos entre os deputados, com 1.353.820, o palhaço Tiririca, foi alvo de críticas dos deputados. Ivan Valente culpa os partidos por aceitarem figuras como o comediante para puxarem outros candidatos. "Os partidos são muito inconsistentes e não têm nada de muito programático na hora de escolher postulantes", afirma.

 

José Aníbal comparou a situação do palhaço com a do ex-deputado Frank Aguiar, que não conseguiu a reeleição. "O Frank era um músico famoso que não se destacou na casa e a resposta veio nas urnas. Apesar de votação expressiva no pleito de 2006, neste ele ficou de fora". Aníbal, no entanto, diz estar aberto a observar a atuação de Tiririca. Segundo ele, é possível que o palhaço "supreenda positivamente".

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